Joseph Cornell
Ano, local de nascimento 1903, Estados Unidos
Ano, local de morte 1972, Estados Unidos
Joseph Cornell instala-se em Nova Iorque, em 1921, onde trabalha numa fábrica de têxteis. Sem qualquer formação, visita museus, feiras de velharias e livrarias antigas, à procura de achados. Por iniciativa própria constitui uma coleção de gravuras, livros e objetos antigos. Logo após a abertura da galeria de Julien Levy, em 1931, interessa-se pelo surrealismo – em particular por La Femme 100 têtes [A mulher 100 cabeças], uma série de colagens de Max Ernst datada de 1929 – e apaixona-se por esta forma de expressão. Possivelmente contacta também com objetos dadá, como os de Kurt Schwitters. Nutre uma admiração especial por René Magritte. É nesta galeria que apresenta, no ano seguinte, a sua primeira exposição individual de colagens. Cornell não pinta nem desenha, mas acumula os objetos mais banais e junta-os, às vezes, em pequenas caixas com tampa de vidro, outras vezes, em garrafas de vidro, ou outros. Chama a estes objetos-esculturas Shadow Boxes, «caixas de sombras» (ou «teatro de sombras»), concebidos como cenários de teatro com alguns adereços dispostos sobre o que corresponderia a um palco. À maneira de um entomologista, de forma obsessiva (alimenta mais de cento e sessenta dossiers sobre os temas mais diversos) e percorrendo as ruas de Nova Iorque, recolhe objetos como bolas de vidro, dedais, copos, conchas, pedaços de tecidos antigos, pedras, bocados de sabonete, cachimbos de barro... Agrupa-os no que chama de Explorações ou Constelações. Estes objetos encontrados são muitas vezes dispostos sobre um fundo de postais, antigas cartas geográficas ou páginas de jornais. A sua poesia reveste a forma de um devaneio encenado, mais do que um processo onírico. A construção das caixas é perfeitamente controlada. Algumas delas, quais meditações, aparentam-se com Vanitas. Isola objetos do exterior para que o maravilhoso e o sonho possam desabrochar no interior. Outras, como as da série Medici Slot Machine, são interativas e destinadas a serem manipuladas.
Apesar da distância (nunca foi a França), da recusa de se comprometer e da ausência de interesse por atividades coletivas, Cornell é admirado e depressa considerado como um surrealista, sendo adotado pelo grupo. É acolhido numa altura em que os surrealistas refletem sobre a noção de objeto. Por isso, a obra de Cornell está presente na Exposition surréaliste d'objets [Exposição surrealista de objetos] da Galerie Charles Ratton, em Paris, em 1936. André Breton dedica-lhe um texto intitulado «Crise do objeto» nos Cahiers d’art nº 1-2. Nesse mesmo ano, um dos seus objetos ilustra a sobrecapa de Surrealism, publicado por Levy. Em 1938, o seu trabalho volta a estar presente na Exposition internationale du surréalisme [Exposição internacional do surrealismo] na Galerie Beaux-Arts em Paris e figura no Dictionnaire abrégé du surréalisme de Breton e Paul Éluard.
Quando chega a Nova Iorque, em 1941, Breton conhece pela primeira vez Joseph Cornell. O artista americano participa nalgumas das atividades dos surrealistas no exílio. Ilustra a revista View e expõe na galeria Art of this Century, de Peggy Guggenheim. Mas recusa envolver-se mais, não prescindindo da sua independência, monopolizado pela mãe e muito dedicado a um irmão deficiente.
Depois da guerra, Cornell terá uma grande influência sobre a nova geração: sejam os americanos da Pop Art, Louise Nevelson, os Nouveaux Réalistes franceses, e até – mais recentemente – Christian Boltanski e as suas séries de caixas... , todos utilizam a apropriação de objetos. Também é considerado como um precursor das instalações. Na década de 1950, Cornell realizará novas colagens em duas dimensões, misturando recortes de revistas, de obras contemporâneas e de reproduções de obras de arte. É também autor de filmes experimentais. O primeiro, Rose Hobart (1936), é completamente composto por imagens encontradas nos entrepostos de New Jersey, a maioria sendo proveniente de um filme de série B intitulado East of Borneo [A leste da ilha de Bornéu]. A seguir, realiza uma dúzia de filmes.
AC