Karel Appel
Ano, local de nascimento 1921, Holanda
Ano, local de morte 2006, Suíça
Karel Appel estuda na Academia Real de Belas-Artes de Amesterdão entre 1940 e 1944. É então influenciado por Vincent van Gogh, Pablo Picasso, Henri Matisse e, sobretudo, pelo expressionismo alemão, como evidenciam as suas primeiras obras. Começa a expor em 1946, mostrando os seus trabalhos onde reúne bocados de madeira e de objetos encontrados a que chama «objetos lixo», pregados sobre painéis de madeira pintados a óleo. Em 1948, funda o Grupo Experimental Holandês com os seus amigos Corneille e Constant e publica a revista Reflex. Nesse mesmo ano, em novembro, participa na conferência internacional do Centre de documentation sur l’art de l’avant-garde, em Paris, organizada pelos membros do antigo Groupe surréaliste révolutionnaire francês. Cansados das polémicas políticas e teóricas dos parisienses, os representantes dos grupos belga (Christian Dotremont e Joseph Noiret), dinamarquês (Asger Jorn) e holandês (Corneille e Constant) abandonam a conferência e formam um novo grupo. No antimanifesto fundador, redigido por Dotremont, proclamam o seu desejo de trabalhar em conjunto no sentido de uma arte experimental, afastada de qualquer dogma, de qualquer preocupação teórica e dos valores de antes da guerra. Pouco depois, Dotremont dará ao novo grupo o nome de «CoBrA», isto é, as iniciais de Copenhaga, Bruxelas e Amesterdão, acrónimo que remete para as origens geográficas dos fundadores e o caráter internacional do grupo, mas também para a imagem de uma serpente venenosa. Mais tarde, Pierre Alechinsky, assim como Paul Bury, Carl-Henning Pedersen, Bengt Lindström, Jacques Doucet ou Jean-Michel Atlan juntar-se-ão ao grupo. Irão opor-se declaradamente à abstração emergente do neoplasticismo que domina a Europa, para se exprimirem de maneira totalmente espontânea, à imagem das crianças e dos artistas primitivos, buscando livremente no seu inconsciente para dar vida a criaturas toscas de cores vivas. Para eles, o lugar da arte não é nas molduras das galerias, mas nas paredes efémeras da vida quotidiana.
A primeira Exposição Internacional de Arte Experimental é organizada em 1949, no Stedelijk Museum de Amesterdão. Appel recebe então uma encomenda para a cafetaria da Câmara Municipal de Amesterdão, mas, perante o escândalo, a obra é coberta com papel de parede (assim ficará durante dez anos; a título de compensação, o pintor será encarregado da decoração do auditório do Stedelijk Museum). A primeira exposição CoBrA tem lugar na Librairie 73, em Paris, em fevereiro de 1951, sob a égide do crítico Michel Ragon. O movimento dissolve-se nesse mesmo ano em virtude de divergências, rivalidades, bem como dos problemas de saúde de Jorn e Dotremont, os dois fundadores mais envolvidos. No entanto, o espírito do CoBrA, verdadeiro laboratório de experiências artísticas, continuará a existir em cada um.
Appel instala-se em Paris e o crítico Michel Tapié introdu-lo nos meios da vanguarda e nas galerias. É associado a Henri Michaux, Willem de Kooning, Jean-Paul Riopelle, Jackson Pollock e Sam Francis, sob designações como «Arte Informal» ou «Arte Outra». A sua primeira exposição individual em Paris é organizada por Tapié, em 1954, na galeria Studio Paul Fachetti, a que se segue outra na Martha Jackson Gallery, em Nova Iorque. Começa a ter sucesso e é encarregado de numerosas decorações murais em pintura, cerâmica, vidro ou relevos em cimento, bem como vários cenários para teatros, ballets e óperas. Autoproclamado «homem sem país», este cidadão do mundo vive e trabalha em Nova Iorque, Connecticut, México, Paris, Molesmes (na Borgonha) e em várias cidades italianas. Até à sua morte, não parará de multiplicar as suas experiências em todos os domínios e todas as técnicas, com o mesmo estado de espírito, violento ou comovente.
AC
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