Max Ernst
Ano, local de nascimento 1891, Alemanha
Ano, local de morte 1976, França
Depois do exame final do ensino secundário, Max Ernst prossegue, em 1909, estudos de filosofia na Universidade de Bona, sem nenhuma ideia quanto ao futuro. Dedica-se à pintura, tem como amigo August Macke e interessa-se pelas criações de doentes mentais. Evolui do fauvismo ao cubismo e expõe em 1913, em Berlim, numa exposição organizada por Macke, Wassily Kandinsky e a revista Der Sturm. Conhece Hans Arp em 1914. Consegue passar os anos de guerra, expondo até em Berlim na galeria Der Sturm, em 1916. No fim da guerra, estabelece-se com a sua mulher, Luise Straus, em Colónia. O seu apartamento torna-se a casa do grupo Dada desta cidade. Em conjunto com Johannes Theodor Baargeld, recebe Arp, Sophie Taeuber, Paul Klee, Lyonel Feininger, Paul Éluard... E organiza uma exposição do grupo Dada em 1919 no Kölnischer Kunstverein. Está ligado a diversos grupos dadaístas na Europa, descobre Giorgio de Chirico, desenvolve as primeiras colagens, experimenta suportes e materiais diversos.
Em 1921, André Breton convida-o a expor colagens em Paris na livraria Au sans pareil, prefaciando também o catálogo. A imprensa indigna-se perante as produções deste «impostor» alemão. A inauguração é uma oportunidade para os dadaístas parisienses se manifestarem. André Breton vai ao seu encontro em Colónia. No final de 1922, Ernst decide instalar-se em Paris. Apesar do apoio de Éluard, leva uma vida difícil. A exposição de quatro pinturas (Célèbes [Celebes], de 1921, Oedipe Roi [Édipo-rei], Au rendez-vous des amis [Encontro de amigos] e À l’intérieur de la vue [Dentro da vista], de 1922), hoje famosas, no Salon des indépendants [Salão dos independentes] em 1923, faz dele o primeiro pintor surrealista. Em 1924, a Kunsthalle Düsseldorf compra-lhe uma pintura (confiscada em 1936 pelos nazis que a consideram «degenerada»). Ao ver um soalho usado, inventa, em 1925, a técnica da «frottage» que se parece com a escrita automática dos escritores surrealistas. Os seus desenhos são reunidos em Histoire naturelle, publicada em 1926 com um prefácio de Arp; depois realiza pinturas de acordo com o mesmo processo através da raspagem da matéria (série das florestas, pássaros, hordas, quimeras...). A exposição na Galerie Van Leer obtém um grande sucesso. A colaboração, no mesmo ano, com Joan Miró na criação de cenários para Romeu e Julieta, o bailado de Sergei Diaghilev, valer-lhe-á um primeiro conflito com os surrealistas. Em 1929-1930, retoma a técnica da colagem e produz, a partir de livros antigos cortados, La Femme 100 têtes [A mulher 100 cabeças], romance de cento e cinquenta tábuas (depois em 1933, Une semaine de bonté ou les Sept Éléments capitaux [Uma semana de bondade ou os sete elementos capitais]). Em 1931, Julien Lévy começa a expô-lo em Nova Iorque. Entra na exposição Fantastic Art, Dada and Surrealism no Museum of Modern Art (MoMA) em Nova Iorque em 1936. Em 1937, conhece Leonora Carrington com quem vai viver para Saint-Martin-d’Ardèche. No ano seguinte, Ernst recusa-se a associar-se à exclusão de Éluard decretada por Breton, o que desencadeia o segundo conflito com o grupo.
No início da Segunda Guerra Mundial é internado no campo de Largentière, depois no de Milles, por ser um cidadão alemão. Começa então uma epopeia inverosímil e assustadora, que vai de uma fuga de comboio antes do avanço alemão a sucessivas reclusões e evasões. Em 1941, consegue partir para os Estados Unidos da América. Conhece alguma notoriedade e reencontra os «artistas no exílio», entre os quais Breton, Roberto Matta, Yves Tanguy, André Masson, entre outros. Casa com Peggy Guggenheim em 1942, mas o casamento não dura mais do que um ano. Em 1943, o encontro com Dorothea Tanning, também ela pintora, leva-o a deixar Nova Iorque e a ir viver para Sedona, no Arizona, onde constrói uma casa que povoa de esculturas.
Ernst regressa a Paris em 1950 para uma grande exposição na Galerie René Drouin prefaciada por Joë Bosquet. Volta definitivamente para Paris em 1953. Instala-se pouco depois com Dorothea Tanning em Huismes, na região de Touraine, depois, em 1963, em Seillans, na região do Var. No ano de 1954, recebe o Gran Premio per la Pittura na Bienal de Veneza, ao mesmo tempo que Arp na escultura e Miró nas artes gráficas, o que lhe vale um terceiro conflito com os surrealistas e a exclusão do grupo. As retrospetivas sucedem-se durante vinte anos, desde Berna em 1956, Paris em 1959, Nova Iorque em 1961, Londres e Colónia em 1962, Zurique em 1963, Veneza em 1966, Estocolmo e Amesterdão em 1969... até ao Guggenheim Museum de Nova Iorque em 1975, pouco antes da sua morte. Toda a sua vida, nunca deixou de experimentar.
AC