Lucio Fontana
Ano, local de nascimento 1899, Itália
Ano, local de morte 1968, Itália
Os pais de Lucio Fontana trabalham no mundo da arte: o pai, de origem italiana, possui uma empresa de escultura decorativa, e a mãe, de origem argentina, é atriz. A família regressa a Milão, tem ele seis anos. Em 1914, inscreve-se numa escola local e frequenta o atelier do pai. Em 1917, alista-se como voluntário no exército. Ferido durante a guerra, é desmobilizado e retoma os estudos até à obtenção do diploma de conclusão de curso. Em 1920, inscreve-se na Accademia di belle Arti di Brera, em Milão. Em 1922, volta à Argentina, trabalha no atelier do pai e, em 1924, abre o seu. Começa a mostrar as suas esculturas e obtém diversos prémios e encomendas. É, então, influenciado por Aristide Maillol e Alexander Archipenko.
De regresso a Milão, em 1928, reinscreve-se – como aluno de Adolfo Wildt – na Academia de Brera. Abandona o estilo académico em 1930, voltando-se para expressões mais primitivas, quase expressionistas, sobretudo na cerâmica, que produz em Albisola. As formas das esculturas tornam-se mais abstratas em meados dos anos de 1930: pertence ao grupo dos abstratos italianos, em 1934, e no ano seguinte, adere ao grupo Abstraction-Création, de Paris. Começa a expor em diversos países (a primeira exposição individual tem lugar na Galleria del Milione, em Milão, em 1930), e a ser reconhecido pela crítica. A sua exposição de 1935, nessa mesma galeria, é a primeira de escultura abstrata em Itália.
Em 1940, por causa da guerra, volta a partir para a Argentina, onde permanece até 1947, altura em que se instala em Buenos Aires e se torna professor na escola de belas-artes. Em 1946, funda a Academia Privada de Altamira. Em contacto com jovens artistas e intelectuais, Fontana desenvolve as suas teorias e publica o «Manifesto Blanco».
De regresso a Milão, em 1947, é então que a sua arte se afirma verdadeiramente. Evolui tanto mais rapidamente, porquanto parte do zero, uma vez que a maioria dos seus trabalhos foram destruídos durante a guerra. Funda o espacialismo e publica um «Primo Manifesto dello Spazialismo», em 1947, seguido de um segundo em 1948, de um terceiro em 1950 e do «Manifesto Tecnico dello Spazialismo», em 1951, textos que exprimem a base da sua filosofia e explicam as suas pesquisas e conceção de uma arte nova.
Em 1949, abandona provisoriamente o ofício de escultor para começar a perfurar, com uma ferramenta aguçada, papel colado sobre tela, frequentemente monocromática e esticada sobre uma estrutura («buchi»). O papel rasgado em torno de cada perfuração produz um relevo. Todas as suas obras serão denominadas, daí em diante, como «Concetto Spaziale» [Conceito espacial]. Em 1951, cria «ambientes espaciais», atmosferas de tubos de néon cuja forma esculpe, ou de luz negra (obtida por meio de lâmpadas de Wood). Multiplica as experimentações com vidro, cerâmica, placas de metal e, posteriormente, em 1958, realiza as primeiras lacerações («Tagli»). Em dez anos, Fontana impõe o seu gesto irreversível e radical – que rasga, perfura, rompe e lacera o espaço da tela –, e que autentica, ainda hoje, a sua obra. É a primeira vez que um artista assim se auto-ataca no próprio suporte da criação. O seu trabalho é conceptual, porque, segundo o artista, as ideias da obra são mais importantes do que a própria obra. Para ele, a tela não é, ou não é mais, um suporte, mas uma ilusão. Lucio Fontana apresenta-se como um dos precursores do minimalismo e companheiro de estrada da Arte Povera, mas a sua obra é inclassificável, face à sua longa evolução. Goza de notoriedade internacional a partir da década de 1960, como o atesta a sua exposição individual na Bienal de Veneza de 1966.
AC