Julio Gonzalez
Ano, local de nascimento 1876, Espanha
Ano, local de morte 1942, França
Os primeiros trinta anos de Julio González são indissociáveis das atividades da sua família. O seu pai tem uma empresa próspera de ourivesaria e serralharia em Barcelona. Tal como o seu irmão e as suas duas irmãs, aprende o ofício desde muito novo, produzindo joias no estilo modernista catalão. Está inscrito nas aulas de artes aplicadas da Escola de Belas-Artes da sua cidade e participa numa exposição aos quinze anos. Com o seu irmão Joan, frequenta então o meio artístico catalão que se encontra no café Els Quatre Gats e conhece Isidro Nonell, Jaime Sabartés, Carlos Casagemas, Manolo (Manuel Hugué), Eugenio d’Ors, Joaquín Torres-García, Ramon Pichot...
A descoberta de Paris e uma visita ao Prado, em 1897, incitam-no a tornar-se pintor. Instala-se em Paris em 1899 e toda a família se junta a si no ano seguinte (o seu pai morreu e a empresa foi vendida). Começa então a trabalhar o cobre martelado. Liga-se a Pablo Picasso (cinco anos mais novo), Manolo, Torres-García e Paco Durrio. Em 1903, participa num primeiro salão em Paris (na Société nationale des beaux-arts) com uma escultura. Durante todos esses anos e os seguintes, continua a criar joias, máscaras e vários objetos decorativos.
Em 1904, por não ter conseguido recuperar desenhos do seu irmão confiados à família de Picasso em Barcelona, zanga-se com este último. A zanga irá durar mais de dezassete anos. Começa a expor as suas pinturas no Salon des indépendants [Salão dos independentes] em 1908, depois no Salon d’Automne [Salão de outono]. Em 1915 abre uma loja com a sua família onde se vendem joias e objetos decorativos. Em 1918, torna-se aprendiz de soldador na Renault para conhecer as novas técnicas da soldadura autogénea e, pouco depois, esculpe um crucifixo em ferro.
A sua primeira exposição individual tem lugar em 1922, na Galerie Povolozky, em Paris. O pintor-escultor tem, então, quarenta e seis anos. Seguir-se-á uma segunda exposição, no ano seguinte, na Galerie le Caméléon. Em 1925 é assistente de Constantin Brancusi, a quem ajuda a preparar uma exposição. O seu primeiro ferro forjado, cortado e dobrado data de 1927. Em 1928, Picasso recorre a ele para a soldadura de esculturas em metal, como Petite maternité découpée [Pequena maternidade recortada]. No ano seguinte, e durante quatro anos consecutivos, os dois artistas colaboram na realização conjunta de várias obras. Um caderno de desenho comum aos dois artistas (Musée Picasso, Paris) testemunha esta bela e rara colaboração.
Volta-se definitivamente para a escultura, realizando uma série de cabeças em ferro (entre as quais, Tête en profondeur [Cabeça em profundidade], de 1930, e Femme se coiffant I [Mulher a pentear-se I], de 1931, uma das suas obras mais importantes) e expondo pela primeira vez esculturas em ferro no Salon d’Automne. A Galerie de France contrata-o (tem uma primeira exposição individual nesta galeria em 1930, com prefácio de Louis Vauxcelles).
Em 1934, por ocasião de uma exposição na Galerie Percier, em Paris, o autor do prefácio, Maurice Raynal, qualifica-o «artista do vazio». Durante este período, as participações em exposições multiplicam-se e o escultor goza de um reconhecimento crescente. Na exposição Cubism and Abstract Art [Cubismo e arte abstrata], que organiza no Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque, em 1936, Alfred H. Barr situa González entre Picasso e Jacques Lipchitz. Tal como Picasso, pode ser considerado um artista próximo do surrealismo: é assim escolhido para integrar a exposição Fantastic Art, Dada and Surrealism [Arte fantástica, dadá e surrealismo], ainda no MoMA, em 1936-1937. Contudo, a partir de 1936, as esculturas de Julio González também podem parecer abstratas, como o caso de Femme assise [Mulher sentada], Femme au miroir [Mulher ao espelho], Femme courbée [Mulher curvada], Petite Vénus [Pequena Vénus]... Convive, aliás, com os abstracionistas e o seu trabalho é reproduzido na revista do grupo Abstraction-Creátion. A República Espanhola encomenda-lhe uma obra para o pavilhão espanhol na Exposição Internacional de Paris, de 1937: La Montserrat (Stedelijk Museum, Amesterdão), uma obra poderosa que simboliza o sofrimento e que será colocada ao lado de Guernica de Picasso e de El Segador de Joan Miró.
Os anos de guerra são difíceis. Ao regressar do funeral do seu amigo, Picasso, particularmente emocionado, pinta três telas representando um crânio diante de uma janela que, segundo o pintor, encarnam «a morte de González». Em 1952, é organizada uma retrospetiva no Musée national d’art moderne, em Paris. A sua influência na escultura moderna é considerável.
AC