Robert Indiana
Ano, local de nascimento 1928, Estados Unidos
Após estudos em Indianápolis e Utica, Robert Clark ingressa no Art Institute of Chicago (1949-1953) e na Skowhegan School of Painting and Sculpture, no Maine (verão de 1953). Graças a uma bolsa, estuda no Edinburgh College of Art e na London University, no Reino Unido (1953-1954). Instala-se em Nova Iorque no final de 1954. Estabelece ligação com os pintores Ellsworth Kelly e Jack Youngerman, e evolui da figuração à abstração. Durante este período de pesquisa, adota o pseudónimo de Robert Indiana, nome do estado de onde é originário, atravessado por míticas autoestradas pontuadas de painéis «66», imagem de marca da Phillips 66, empresa onde trabalhava o seu pai.
Por razões económicas, começa a utilizar material recuperado e dá início à série Hermes (na Antiguidade, erigiam-se estátuas nas encruzilhadas em homenagem a Hermes, pois considerava-se que este deus afastava os perigos), esculturas verticais, por vezes munidas de rodas. No seu atelier de Manhattan, encontra uma série de moldes de números e letras em cobre, pertencentes a uma companhia de navegação. Propõe-se, então, utilizá-los para decorar os seus «totens», que complementa, pouco a pouco, com estrelas, círculos, setas e sinais. Essa iconografia será recorrente em toda a sua obra. Pinta, igualmente, inscrições que figuram em máquinas de jogo, letreiros de lojas ou na sinalética urbana e rodoviária. Os seus círculos com estrelas fazem lembrar os «batentes» e «alvos» dos flippers. Apelida o seu estilo de hard-edge pop, o «pop geométrico». A sua invenção não é uma reação ao expressionismo ambiente, mas a adaptação a um estilo figurativo das qualidades plásticas das obras dos seus amigos adeptos de um abstracionismo colorido. Ao manipular esses signos simples que o fascinam, pintados de cores vivas sem mistura, de contornos claramente definidos, sem gradação nem transição, procura ilustrar a vida quotidiana do seu país, o «sonho americano». Descobre as máquinas de flippers e as juke-boxes dos cafés onde a mãe trabalhava. Devido a esses temas e à forma de os tratar, torna-se rapidamente uma das figuras centrais da Pop Art nova-iorquina: em 1962, faz parte da seleção dos New Realists, na Sidney Janis Gallery. Nesse mesmo ano, realiza a sua primeira exposição individual, na Stable Gallery, em Nova Iorque.
O seu trabalho sobre os números leva-o a criar obras como One [Um], Two [Dois] ou Four [Quatro], que declina em pinturas e esculturas gigantes – simultaneamente signos e obras de arte –, destinadas a tomar lugar no meio quotidiano. Declina, igualmente, letras, entre as quais o famoso LOVE, de 1966, na altura da guerra do Vietname. Depois de ver, numa igreja de Indianápolis, a inscrição God is Love [Deus é Amor], cria, em 1964, uma pintura Love is God [O amor é Deus], que reduz a um arranjo esculpido das letras de love (o conjunto dos trabalhos sobre este tema é objeto de uma exposição na Stable Gallery, em 1966). Esta escultura, com mais de três metros de altura, torna-se o emblema da geração hippie, do final da década de 1960, e uma das obras de arte mais populares em todo o mundo. Robert Indiana produzirá quantidades consideráveis de variações das suas obras, sob forma de serigrafias e tiragens de esculturas, mas a proliferação de obras pirateadas de qualidade medíocre maculará a sua reputação.
Em The American Dream, I [O sonho americano], de 1961, apresenta uma composição de quatro círculos inscritos num quadrado, o esquema predominante da série: cada círculo contém um signo, uma estrela, uma letra… Extraída do jogo de flippers, a palavra TILT [oscilar] surge recorrentemente, bem como EAT [comer], DIE [morrer], ERR [errar], HUG [abraçar], mas também a estrela de cinco pontas da bandeira nacional ou os números de diversas importantes autoestradas americanas (29, 37, 40, 66). Esta obra é imediatamente adquirida pelo Museum of Modern Art (MoMA) de Nova Iorque, em 1961, antes mesmo da primeira exposição individual do pintor, na Stable Gallery, no ano seguinte.
Em 1966, é organizada uma importante exposição em Düsseldorf, Eindhoven, Krefeld e Estugarda, na Documenta 4, em Kassel, que permite ao público europeu descobri-lo. São apresentadas retrospetivas em Filadélfia, San Antonio e Indianápolis, em 1968; em Washington, em 1984; em Portland, em 1999. Em 1978, Robert Indiana deixa Nova Iorque para se instalar na ilha de Vinalhaven, ao largo da costa do Maine. Em 1998, o Musée d'art moderne et contemporain de Nice apresenta uma retrospetiva, a primeira em França.
AC