Yves Klein
Ano, local de nascimento 1928, França
Ano, local de morte 1962, França
Os progenitores de Yves Klein são ambos pintores: o pai, Fred Klein, é figurativo, a mãe, Marie Raymond, é abstrata. A sua primeira paixão é o judo, para ele uma experiência primordial do espaço «espiritual». Entre 1947 e 1948 trabalha no projeto de Symphonie monoton-silence, composição musical com um só tom, seguida de um longo silêncio. Interessa-se, com o amigo Claude Pascal, pela doutrina da ordem Rosacruz. Depois do serviço militar, Klein está em Londres. Cria alguns monocromos sobre papel e sobre cartão, usando pastel e guache. Trabalha numa oficina de molduras e aprende a dourar com folha de ouro, técnica que usará mais tarde. Segue para a Irlanda, Espanha, e depois para o Japão, onde se inscreve em Tóquio no Instituto Kôdôkan, o mais prestigiado centro de judo. Após uma estadia de quinze meses, obtém o quarto dan do cinturão negro e atinge o melhor nível europeu.
De regresso a Paris, em 1954, depara-se com a desconfiança do meio profissional e institucional do judo apesar da edição do seu livro Les Fondements du Judo. Deixa França novamente e parte para Espanha, onde edita duas compilações de monocromos, Yves peintures e Haguenault peintures. Regressa a França, em 1955, propõe um monocromo laranja intitulado Expression de l'univers de la couleur mine orange [Expressão do universo da cor mina laranja] para o Salon des réalités nouvelles [Salão das realidades novas], que o recusa. Expõe um primeiro monocromo no Club des Solitaires, nos salões privados das edições Lacoste, no fim do ano. É lá que conhece Pierre Restany, um encontro determinante para o seu futuro. Este crítico de arte escreve um texto radical e provocador sobre a sua exposição seguinte, na Galerie Colette Allendy, em 1956, onde apresenta os primeiros monocromos azuis, um azul ultramarino profundo materializando a expansão infinita do universo. Acaba de desenvolver a técnica que permite conservar toda a força do pigmento, apesar do óleo ligante (a cor inclui pigmento azul-ultramarino e um ligante composto por álcool etílico puro, acetato de etilo e um acetato de polivinilo elaborado pelas industrias Rhône-Poulenc e distribuído sob o nome Rhodopas MA). Um pouco mais tarde, a 19 de maio de 1960, Yves Klein patenteia a fórmula do azul que criou sob o nome “International Klein Blue” (IKB).
Em 1957, Klein expõe na Galleria Apollinaire, em Milão, onze monocromos azuis. As exposições de monocromos azuis, depois rosas e dourados (Monogold, painéis cobertos de ouro fino, 1960-1961) irão ser apresentadas nas galerias Iris Clert e Colette Allendy (onde mostra o primeiro Immatériel [Imaterial], uma sala inteiramente vazia) em Paris, em Düsseldorf e em Londres, onde a exposição provoca escândalo. As obras multiplicam-se (decoração da nova ópera de Gelsenkirchen, ensaio de iluminação em azul do obelisco do Largo da Concórdia, que é recusada, a primeira experimentação da técnica dos pincéis vivos, o trabalho com esponjas, a colaboração com Jean Tinguely para a exposição conjunta na Galerie Iris Clert, em novembro de 1958, o trabalho com o arquiteto Claude Parent no projeto Fontaines d'eau et feu [Fontes de água e de fogo], a venda de Zones de sensibilité picturale immatérielle [Zonas de sensibilidade pictórica imaterial], em 1959. Ainda em 1959, na primeira Bienal de Paris, Pierre Restany apresenta um monocromo azul de grande formato na seleção de obras propostas pelo júri de jovens críticos. Tinguely, Raymond Hains, Jacques Villeglé e François Dufrêne também fazem parte desta seleção. Trata-se de uma etapa essencial da formação do grupo dos Nouveaux Réalistes.
Retoma as experimentações das mulheres-pincéis em Célébration d'une nouvelle ère anthropométrique [Celebração de uma nova era antropométrica], a 23 de fevereiro, na sua própria casa, depois nas Anthropométries de l'époque bleue [Antropometrias da época azul], a 9 de março de 1960, na Galerie internationale d’art, rua Saint-Honoré, Paris, com três jovens mulheres nuas que dirige e uma orquestra de cordas que executam a sua Symphonie monoton-silence, na presença de um público em traje de noite.
Em abril, Klein participa na exposição Les Nouveaux Réalistes [Os novos realistas], na Galleria Apollinaire, em Milão, juntamente com Arman, Hains, Dufrêne, Villeglé e Tinguely. No prefácio do catálogo, Pierre Restany utiliza pela primeira vez o termo «nouveau réalisme». A declaração constitutiva do grupo terá lugar no seu domicílio, a 27 de outubro de 1960. Em 1961, uma retrospetiva no Museum Haus Lange, em Krefeld, na Alemanha, permite medir a influência das pesquisas de Yves Klein em tão poucos anos. Trabalha então nos efeitos do fogo sobre diversos suportes.
A 12 de maio de 1962, no Festival de Cannes, Yves Klein assiste à projeção de Mondo Cane de Gualtiero Jacopetti, e sente-se profundamente ferido pelo retrato desnaturado de que é alvo neste filme, e também da abordagem às suas pesquisas, apesar de todo o apoio que tinha fornecido ao realizador. Apresenta, nessa mesma noite, sinais anunciadores de uma crise cardíaca. Morre pouco tempo depois, a 6 de junho, com trinta e quatro anos.
AC
Obras
1956