Man Ray
Ano, local de nascimento 1890, Estados Unidos
Ano, local de morte 1976, França
Primogénito de uma família judia de emigrantes russos, que se instala em Nova Iorque em 1897, Man Ray manifesta desde a infância o gosto pelas artes, começando por visitar museus. O seu desejo é tornar-se pintor. Em 1908, recebe uma bolsa para estudar arquitetura, mas recusa-a. Frequenta o Ferrer Center, de espírito libertário, e a galeria 291, do fotógrafo Alfred Stieglitz. Em 1912, fixa-se em Ridgefield, Nova Jérsia, onde trabalha como desenhador publicitário. A descoberta da vanguarda europeia no Armory Show, em 1913, é uma revelação. Começa, então, a pintar ao estilo cubista; a primeira exposição tem lugar na Daniel Gallery, em 1915. Aquando do seu casamento, em 1914, adota o nome de Man Ray. Em 1915, o encontro com Marcel Duchamp, com o qual partilha uma paixão pelo xadrez, revela-se fundamental. Com aquele que será durante toda a vida seu amigo e cúmplice, forma uma ramificação americana do dadaísmo. Participa nas soirées organizadas em casa de Walter e Louise Arensberg, onde se reúne com Duchamp, Charles Demuth, Georges Bellows, Joseph Stella, William Carlos Williams e os franceses expatriados Francis Picabia, Edgar Varèse e Jean Crotti.
Man Ray revela-se um criador prolífico, tanto nas colagens como nas pinturas e objetos. Começa a fotografar, elabora projetos de filmes. É autor do célebre ferro de engomar ornado de pregos (Cadeau [Presente], 1921). Após algumas experiências artísticas infrutíferas, nomeadamente uma publicação sobre o dadaísmo nova-iorquino, em 1920, Man Ray conclui que «o Dada não pode sobreviver em Nova Iorque».
Desembarca em Paris, em 1921, acolhido por Duchamp, que o apresenta, nessa mesma noite, aos amigos Louis Aragon, Philippe Soupault, Paul Éluard e Gala, André Breton, Jacques Rigaut e Théodore Fraenkel. Mais tarde, trava conhecimento com Hans Arp, Georges Ribemont-Dessaignes, Max Ernst e Tristan Tzara. Instala-se em Montparnasse, onde Jean Cocteau o introduz no seu círculo de conhecimentos. Conhece e apaixona-se pela cantora e modelo Kiki de Montparnasse, de quem faz inúmeros retratos e que protagoniza os seus primeiros filmes experimentais (Le Retour à la Raison [Retorno à Razão], 1923, ou L’Étoile de mer [A estrela-do-mar], 1928).Tornado fotógrafo profissional especializado em moda, rapidamente ganha reputação no meio. Os nus de Meret Oppenheim, que realiza em 1934, figuram entre as mais belas fotografias do século. É, igualmente, o retratista favorito dos seus amigos dadaístas e, depois, surrealistas.
Man Ray prossegue as suas pesquisas e desenvolve uma técnica de fotogramas que designa como «rayogramas»: faz mover uma fonte luminosa em torno de objetos, alguns dos quais transparentes, dispostos sobre papel sensível; o papel regista, com diferentes graus de densidade consoante o tempo de exposição, os contornos, sombras e padrões criados pela refração. Participa nas atividades do grupo surrealista, a partir de 1924, ano de publicação de uma das suas fotos na revista La Révolution surréaliste, e apresenta os seus trabalhos na primeira exposição do grupo, na galeria Pierre, em Paris, em 1925. Pinta na linha de Giorgio de Chirico e Ernst. Continua a inventar objetos, como o famoso Objet indestructible [Objeto Indestrutível], de 1923, um metrónomo em que a extremidade do pêndulo exibe a imagem de um olho.
Subsequentemente, aperfeiçoa a técnica da solarização, que consiste numa sobre-exposição extrema que recorta as formas dos objetos e as irradia, técnica acidentalmente descoberta na sua câmara escura pela sua assistente, Berenice Abbott. Man Ray trabalha, em particular, sobre fotografias de Lee Miller, reputada manequim, também ela fotógrafa, sua companheira entre 1929 e 1932.
Em 1940, após a derrota francesa, Man Ray consegue chegar a Lisboa, de onde embarca para os Estados Unidos da América. Depois de alguns dias passados em Nova Iorque, alcança a costa oeste com a intenção de partir para o Taiti, onde permaneceria até à resolução do conflito. Mas o encontro com Juliet Browner leva-o a instalar-se em Los Angeles. Prossegue as suas pesquisas em pintura, em particular ampliações de obras anteriores, que serão expostas, em 1948, por Bill Copley, na sua galeria de Beverly Hills.
Man Ray regressa a Paris, em 1951, prosseguindo os seus trabalhos com um humor destrutivo, na linha do dadaísmo, associando objetos e títulos, e recusando aferrar-se a um estilo ou técnica determinados. Recebe a Medalha de Ouro de Fotografia na Bienal de Veneza de 1961. Em 1972, o Musée national d'art moderne, em Paris, apresenta uma retrospetiva do artista. O seu túmulo contém a inscrição: «Unconcerned, but not indifferent» [Despreocupado, mas não indiferente].
AC
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