Mimmo Rotella
Ano, local de nascimento 1918, Itália
Ano, local de morte 2006, Itália
Até aos vinte e seis anos, em 1945, Mimmo Rotella alterna estudos de arte em Nápoles, um trabalho no Ministério dos Correios e das Telecomunicações, a mobilização como suboficial aluno durante a guerra e o ensino do desenho no Instituto dos Geómetras na sua cidade natal. Em 1945, está em Roma e decide tornar-se pintor. Pinta telas pós-cubistas, hesitando entre o figurativo e um estilo «neogeométrico». Começa a expor em 1947, e apresenta a primeira exposição individual na Galleria Chiurazzi, em Roma, em 1951. As suas obras abstratas e geométricas não obtêm qualquer sucesso.
Em 1949, percebendo que a via que tomou não tem grande futuro e que a pintura não lhe oferece mais nada, procura um modo de expressão alternativo e inventa uma poesia que chama de «epistáltica» – sequência de palavras sem sentido, assobios, sons, ruídos urbanos e onomatopeias. Em 1951, segue para a Universidade do Kansas, nos Estados Unidos da América, com uma bolsa de estudos da Fulbright Commission, na qualidade de artista em residência. É lá que realiza uma grande composição mural e experimenta acompanhar os seus poemas fonéticos com percussão. Executa uma performance de poesia fonética na Harvard University, em Boston, e grava outras para a Library of Congress, em Washington. Apresenta também a segunda exposição individual na Rockhill Nelson Gallery, em Kansas City (1952). Durante a sua estadia, conhece artistas como Robert Rauschenberg, Claes Oldenburg, Cy Twombly, Jackson Pollock e Franz Kline.
De regresso a Roma, em 1953, atravessa um longo período de crise, durante o qual deixa de pintar. Vagueando pela cidade, descobre que os cartazes de publicidade, parcialmente lacerados e descolados, podem ser um meio de expressão artística e uma mensagem da vida quotidiana urbana. Começa a colar sobre a tela pedaços de cartazes rasgados. Depois, efetua uma dupla «descolagem» (o cartaz arrancado do seu suporte é novamente rasgado no atelier). Em 1954, Rotella expõe pela primeira vez os seus cartazes lacerados, por ocasião de uma exposição de «arte atual» em Roma, que causa escândalo. Até 1959, prefere descolar cartazes com motivos abstratos, numa espécie de continuidade da sua obra de pintor. Mais tarde, começam a aparecer letras e palavras. Com a série Cinecittà (iniciada em 1958), trabalha sobre cartazes de cinema, neles isolando caras e silhuetas (Dolce Vita, 1960; Marylin, 1962), e sobre cartazes de publicidade (Chi va chi viene, 1963), cartazes que descola pela sua beleza enquanto matéria.
Em 1958, em Roma, o pintor abstrato Giulio Turcato apresenta-o ao crítico francês Pierre Restany. Este encontro retira Rotella do isolamento e permite-lhe descobrir obras semelhantes realizadas por Raymond Hains, Jacques Villeglé e François Dufrêne sobre os quais nada sabia. A partir daí, à imagem dos colegas parisienses, compõe lacerações mais figurativas, ou seja, mais preocupadas em mostrar os pormenores. Adere ao movimento dos Nouveaux Réalistes em 1960, apesar de não poder estar presente na reunião constitutiva de 27 de outubro em casa de Yves Klein. Logo no mês seguinte, expõe com os outros cartazistas no segundo Festival d’art d’avant gard [Festival de arte de vanguarda] no Parc des expositions de la Porte de Versailles, em Paris. Doravante, Rotella, que se instala em Paris, participa em todas as atividades dos Nouveaux Réalistes (Salon comparaisons, em Paris; 40° au-dessus de Dada, em 1961, Galerie J, em Paris; The Art of Assemblage, em 1961, no Museum of Modern Art [MoMA] de Nova Iorque, seguido de Dallas e São Francisco...). A primeira exposição individual ocorre em Paris, em 1961, na Galerie J.
Prossegue então as suas pesquisas, intervindo em páginas de publicidade de revistas usando diluentes. Elabora um processo de produção em série recorrendo à projeção de imagens em negativo sobre tela emulsionada, obras essas a que chama de «Reportage» ou «Mec-art» (1965). Usando produtos tipográficos, realiza entre 1967 e 1973, as «Art-typo», provas livremente reproduzidas sobre a tela, sobrepondo e encavalitando imagens publicitárias. Depois, em 1975, imagina as «Plastiformes», pedaços de cartazes arrancados colados em suportes tridimensionais em poliuretano. Outra experiência, durante este mesmo período, consiste em amarrotar cartazes e fechá-los em cubos de vidro acrílico, seguindo o espírito das acumulações de Arman.
Instala-se em Milão, em 1980 e, durante vinte anos, não irá parar de fazer experiências com cartazes e papéis que recupera do lixo continuando, ao mesmo tempo, a criar poesias fonéticas.
AC
Obras
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1963
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1958