Max Bill
Ano, local de nascimento 1908, Suíça
Ano, local de morte 1994, Suíça
Max Bill começa por estudar na Escola de Artes Aplicadas de Zurique (1924-1927). Vai até Paris, em 1925, para visitar a Exposição Internacional de Paris. Os pavilhões de Le Corbusier, Konstantin Melnikov, Joseph Hoffmann e Frederick Kiesler produzem nele uma forte impressão. Sob influência de uma conferência de Le Corbusier, decide seguir estudos de arquitetura e ingressa na Bauhaus, em Dessau, escola dirigida por Walter Gropius e, depois, por Hannes Meyer. Até 1929, é aluno de Wassily Kandinsky, Oskar Schlemmer, László Moholy-Nagy, Paul Klee e Josef Albers.
De regresso a Zurique, em 1930, abre o seu próprio gabinete de arquitetura. Paralelamente, trabalha como pintor e escultor, e interessa-se pela publicidade e pelo design. Em 1932, conhece Hans Arp e, mais tarde, Piet Mondrian, bem como, no ano seguinte, Georges Vantongerloo, cuja influência será considerável na sua obra. Ainda em 1932, toma parte nas atividades do grupo Abstraction-Création, em Paris. Multiplicam-se as deslocações para assistir a exposições, travando conhecimento com Max Ernst, Alberto Giacometti, Anton Pevsner, Marcel Duchamp, František Kupka, Willi Baumeister, Julius Bissier, Henry van de Velde… Oponente declarado do Fascismo, zanga-se com a Alemanha, entre 1932 e 1948.
Em 1935, realiza Ruban sans fin [Fita infinita], uma das suas esculturas mais conhecidas; aliás, as suas pesquisas prosseguirão neste domínio, durante toda a vida. No mesmo ano, dá início a quinze litografias, intituladas Quinze variations sur un même thème [Quinze variações sobre um mesmo tema]. Em 1936, no catálogo da exposição Zeitprobleme in der Schweizer Malerei und Plastik [Problemas atuais da pintura e da escultura suíça], na Kunsthaus, de Zurique, Max Bill desenvolve os métodos e princípios da arte concreta de Theo van Doesburg e defende a utilização das ciências exatas e da matemática na criação das obras de arte. A partir do início dos anos 1940, lança-se numa pesquisa pictórica sobre o quadrado e outras estruturas geométricas (em particular, o quadrado sobre uma ponta). Em 1944, organiza na Kunsthalle Basel, a primeira Exposição Internacional de Arte Concreta (Konkrete Kunst) e publica a revista Abstrackt – Konkret. Começa a trabalhar no domínio da estética industrial. No mesmo ano, é designado responsável pelo curso de Teoria da Forma na Escola de Artes Aplicadas de Zurique.
Em 1947, realiza a sua grande escultura Continuité [Continuidade], destruída em 1948, e a sua primeira Bildsüule, pintura em forma de coluna. Em 1949, organiza, em Basileia, a exposição Die Gute Form [A boa forma], apresentada em várias cidades europeias, e que influenciará a conceção formal do design, durante décadas.
Em 1950, é chamado a realizar, segundo o espírito da Bauhaus, o programa e a arquitetura da Hochschule für Gestaltung, na cidade de Ulm (Fundação Scholl), na Alemanha. Tal iniciativa tomar-lhe-á sete anos, durante os quais é, simultaneamente, reitor e professor. Convidará a juntar-se-lhe Josef Albers, seu antigo professor da Bauhaus. Em 1956, usufrui de uma grande exposição retrospetiva, em Ulm, posteriormente apresentada em Munique, Duisbourg, Haia e Zurique.
No final deste período, regressa a Zurique, onde abre uma agência. Durante esses anos, é solicitado para cursos, conferências e exposições. É distinguido com a atribuição de prémios (Bienal de São Paulo, 1951; Trienal de Milão, 1954). Consagra inúmeros artigos e livros a Kupka, Le Corbusier, Kandinsky, Mies Van der Rohe, Arp, Alberto Magnelli, Mondrian, Pevsner, Albers, Duchamp, Vantongerloo, Gropius… Constrói diversas casas e edifícios, elabora a cenografia de inúmeras exposições, cria cenários de teatro e ópera, desenha objetos da vida quotidiana, como pêndulos, mesas ou cadeiras. Em 1965, é chamado a Hamburgo para exercer funções de professor de design ambiental, na Staatliche Hochschule für Bildende Künste. Dirigirá, aí, a primeira cadeira europeia sobre administração do território.
Max Bill, que, em 1948, obteve o Prémio Kandinsky – atribuído por Nina Kandinsky e pelo crítico Charles Estienne – testemunhou, até aos últimos momentos da sua vida, uma prolificidade criativa e uma energia excecional. Embora se tenha considerado sempre, antes de mais, como arquiteto, abordou todos os domínios e exerceu profunda influência nas gerações mais jovens, buscando a simplicidade e a harmonia nas formas resultantes de teorias matemáticas. Ao passo que as diversas correntes posteriores aos anos de 1950 se opõem ao funcionalismo e à objetividade, a sua arte ascética e parca de meios anuncia a arte minimalista.
AC
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