Nicolas de Staël
Ano, local de nascimento 1914, Rússia
Ano, local de morte 1955, França
O pai de Nicolas de Staël, major-general do exército czarista, é vice-governador da Fortaleza Pedro-e-Paulo em São Petersburgo quando ocorre a Revolução de Outubro, em 1917. Dois anos depois, a família é obrigada a exilar-se na Polónia. Com a morte dos pais, em 1921 e 1922, Nicolas de Staël é colocado numa família de acolhimento de origem russa em Bruxelas. Em 1933, estuda na Academia de Saint-Gilles e a seguir na Académie royale des beaux-arts de Bruxelles. A partir de 1934, viaja na Europa, depois em Marrocos, em 1936, para completar a formação. É lá que conhece Jeannine Guillou, que se torna sua companheira. Esta apresenta-lhe o primo, o pintor Jean Deyrolle. Em 1938, instala-se em Paris, segue as aulas da academia de Fernand Léger e conhece Maria Helena Vieira da Silva. Passa o verão de 1939 em Concarneau, com Jean Deyrolle e Jeannine Guillou, que desenvolvem uma pintura geométrica pós-cubista enquanto ele continua figurativo. No início de 1940, junta-se à Legião Estrangeira na Argélia, mas é desmobilizado em setembro. Vai ter com Jeannine, que está em Nice, trabalha como decorador e frequenta o meio dos artistas refugiados na chamada «Zona Livre». A simplificação das formas e das cores necessária ao seu trabalho de decorador empurra-o para a abstração. Marie Raymond apresenta-lhe Mario Magnelli; conhece Sonia Delaunay, Jean Arp e Sophie Taeuber.
Em 1943, abandona o trabalho que era o seu sustento para se dedicar inteiramente à pintura, estabelecendo-se em Paris. Em 1944, Jeanne Bucher mostra pela primeira vez as pinturas de Nicolas de Staël, em conjunto com obras de César Domela e de Wassily Kandinsky. Conhece Georges Braque que irá ver todas as semanas da sua vida e por quem sente uma grande admiração.
Na altura da libertação [de Paris, em 1944], Nicolas de Staël relaciona-se com o colecionador Jean Bauret ou com o escritor Pierre Lecuire. São anos difíceis (Jeannine morre em 1946), apesar de começar a ser reconhecido. Assina um contrato com o galerista Louis Carré, em 1946, seguindo-se outro com Jacques Dubourg, em 1948. De Staël, tal como o amigo André Lanskoy, também de origem russa, recusa participar no Salon des réalités nouvelles [Salão das realidades novas], apoiado pelos adeptos de uma abstração mais geométrica. Recusa qualquer contacto com o universo da arte abstrata, apesar da sua pintura – constituída de formas alongadas dispostas em todas as direções – se afastar da realidade (a maior parte das suas pinturas chamam-se, na altura, Composition [Composição]). A ambiguidade da situação – a recusa da antinomia figuração-abstração – não facilita a sua carreira. Nicolas de Staël suscitará, durante os anos que lhe restam viver, controvérsias e paixão.
Com a primeira exposição individual, na Galerie Dubourg, em 1950, alcança o reconhecimento. Charles Estienne e André Chastel apoiam-no. A notoriedade começa a estender-se para lá de Paris, sobretudo nos Estados Unidos da América. Na Sidney Janis Gallery, em 1950, com a exposição Young Painters from U.S. and France [Jovens Pintores dos EUA e de França], é comparado com Mark Rothko. O Museum of Modern Art de Nova Iorque compra-lhe uma obra em 1951, ano dedicado à preparação de um livro com René Char para o qual ilustra poemas em xilogravura. A pintura toma a forma de uma sobreposição de pequenos quadrados e retângulos coloridos, pintados com tinta aplicada em camadas espessas. Conhece então um período de incertezas, refugiando-se na pintura de paisagens da Île-de-France e da Normandia. Reintroduz a figuração através de naturezas-mortas, telhados de Paris, nus, o rio Sena em Havre, Dieppe, Honfleur. Encontra novas fontes de inspiração ao assistir a um jogo de futebol (Parc-des-Princes, série dos «futebolistas», 1952) e a uma peça musical e coreográfica de Jean-Philippe Rameau (Les Indes galantes, 1953). Pinta ininterruptamente. A exposição individual na Knoedler Gallery, em Nova Iorque, em 1953, deixa-o esgotado. O sucesso é retumbante e a imprensa dá-lhe visibilidade. A Rosenberg Gallery, com quem assina um contrato, incita-o a produzir uma nova exposição prevista para 1954. Conhece um novo sucesso mas, em França, a crítica está muito mais dividida, não aprovando o regresso à figuração. A angústia começa a submergi-lo. A relação com a sua modelo Jeanne Mathieu transtorna a sua vida privada. Suicida-se, atirando-se da janela do seu atelier nas muralhas de Antibes, em 1955.
AC
Obras
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1953