Georges Vantongerloo
Ano, local de nascimento 1886, Bélgica
Ano, local de morte 1965, França
Georges Vantongerloo estuda nas academias de Belas-Artes de Antuérpia (1900-1904) e Bruxelas (1906-1909), onde pinta obras figurativas e pós-impressionistas. Durante a Primeira Guerra Mundial, vive nos Países Baixos e dedica-se a desenhos de arquitetura. Apaixonado pelas ciências e pela matemática, tende progressivamente para a abstração e o estudo do espaço. Em 1917, conhece Piet Mondrian, Bart van der Leck e Theo van Doesburg. Este último trabalha há um ano num projeto de revista cujo conteúdo se baseia na teoria do neoplasticismo de Mondrian. O primeiro número, intitulado De Stijl, é publicado em Leiden em outubro desse ano. Vantongerloo é convidado a colaborar e assina o manifesto fundador (de 1918 a 1920, aí publica uma série de «Reflexões sobre o espaço»). Executa então diferentes variações sobre o tema da Construção na Esfera, a primeira série de esculturas abstratas sem qualquer ligação à realidade aparente. As Construções de Inter-relações Volumétricas, realizadas em Bruxelas, em 1918, são o prolongamento do trabalho iniciado na Holanda. Depois do fim da guerra, instala-se em Menton, na Côte d’Azur, em 1920. As suas pinturas são então parecidas com as de Mondrian mas mais coloridas. Cria objetos utilitários como um serviço de chá e de café, bem como móveis. Concebe os seus primeiros projetos de arquitetura. Em 1924, publica as suas ideias teóricas num panfleto, L’Art et son Avenir, obra que irá influenciar a Bauhaus.
Em 1927 fixa-se definitivamente em Paris onde irá permanecer até à sua morte em 1965. Aplica à sua arte princípios que vai buscar à matemática e que experimenta no volume ou no plano, bem como em projetos arquitetónicos e urbanísticos audaciosos, tais como uma cidade de «arranha-céus», uma ponte em Antuérpia ou um aeroporto em Paris (projetos expostos no Musée des arts décoratifs, em Paris, em 1930). A partir de 1928, dedica-se, nomeadamente com Auguste Herbin, aos grupos Cercle et Carré e Abstraction-Création, movimentos importantes de defesa da arte abstrata geométrica. As suas participações em exposições (Abstrakte und surrealistiche Malerei und Plastik, Zurique, 1929; Cubism and Abstract Art, Museum of Modern Art [MoMA], Nova Iorque, 1936; Konstuktivisten, Kunsthalle, Basileia, 1937; Abstracte Kunst, Amesterdão, 1938...) são raras mas fundamentais. A sua primeira exposição individual é na galeria de Berri, em Paris, em 1943: não tem qualquer sucesso, numa altura em que se vê confrontado com graves dificuldades materiais, apesar da ajuda do seu amigo Max Bill.
Depois de 1938, afasta-se de uma geometria construída e retilínea, introduzindo a curva dinâmica e flexível nas suas pinturas e esculturas. Por volta de meados da década de 1940, dedica-se a fabricar objetos delicados e refinados com fios metálicos, borrachas e molas que evocam um universo cósmico, tal como a sua pintura onde espirais e volutas, finas pinceladas de cor viva, se inscrevem sobre fundos claros.
Depois da guerra, em 1946, reencontra pintores e escultores abstratos no Salon des réalités nouvelles [Salão das realidades novas], sendo o responsável pela arquitetura da exposição. Depois de 1958, utiliza materiais transparentes e concebe as suas obras como o meio de pôr em evidência fenómenos naturais: radiações luminosas, atração e repulsão dos átomos, sistemas planetários, jogos de luz (ficou muito impressionado com o espetáculo de uma aurora boreal na Noruega em 1960).
Max Bill dedica-se a apoiá-lo e a dá-lo a conhecer. Organiza-lhe uma exposição na Kunsthaus de Zurique, em 1949 (onde ele próprio também expõe com Antoine Pevsner). Graças ao seu amigo, Vantongerloo expõe sozinho na galeria de Suzanne Bollag, também em Zurique, em 1961; no ano seguinte, tem uma importante retrospetiva na Marlborough New London Gallery, em Londres. A sua arte evoluiu de um formalismo rigoroso para uma visão intuitiva pintada subtilmente com autêntica poesia. Leva uma vida isolada, sem contudo perder o contacto com o meio artístico. Entre 1950 e 1960, rodeado pelas suas obras, recebe no seu atelier numerosos jovens artistas atraídos por esta personagem, simultaneamente ator e testemunha de certas páginas capitais da história da modernidade.
AC