Tom Wesselmann
Ano, local de nascimento 1931, Estados Unidos
Ano, local de morte 2004, Estados Unidos
Tom Wesselmann realiza os seus estudos entre 1945 e 1951 no Hiram College de Ohio, seguindo depois o curso de psicologia na Cincinnati University. Durante o serviço militar, na Coreia, esboça desenhos satíricos sobre a sua vida no exército. Aquando do seu retorno, em 1954, decide estudar arte, inicialmente na Art Academy of Cincinnati, depois na The Cooper Union for the Advancement of Science and Art, em Nova Iorque. Ganha, então, a vida como desenhador humorístico em jornais e revistas e dando cursos em Brooklyn. Durante uma visita ao Museum of Modern Art (MoMA), fica impressionado com as obras de Robert Motherwell e de Willem de Kooning. Em 1957, conhece Claire Shelley, também ela estudante na Cooper Union, que se tornará sua modelo e, em 1963, sua mulher. Em finais da década de 1950, Wesselmann realiza pequenas colagens que podem ser vistas como precursoras das séries Great American Nude [Grande nu americano] e Still Life [Natureza-morta], que irá pintar, durante grande parte da sua vida, integrando colagens de imagens recortadas de revistas e objetos encontrados em grande formato. Rejeitando o expressionismo abstrato e a arte minimalista, deseja colmatar o fosso entre a arte e a vida, entre a cultura erudita e a cultura popular, imitar – de certo modo – a sociedade do consumo que se desenvolve rapidamente, mas contornando-a subtilmente, para melhor a criticar com um olhar irónico. Conhece Jim Dine e Claes Oldenburg.
Os Great American Nudes, dos quais pinta uma centena de versões até 1967, são inspirados nas imagens asseptizadas de pin-ups achadas em revistas. Representa nus ao mesmo tempo provocantes e despersonalizados, reduzidos ao estado de sex-symbols posando num ambiente banal, nos limites do kitsch. Junta num mesmo quadro reproduções coladas de obras de Henri Matisse, Piet Mondrian ou Auguste Renoir, quando não pinta, ele mesmo, interpretações desses quadros. Na sua série de naturezas-mortas, Still Life, reproduz unicamente produtos de consumo corrente da vida quotidiana (garrafa de Canada Dry, molho de espargos, pacote de cigarros, gelado...), apresentados como símbolos da sociedade de consumo em interiores de tipo «americano médio».
A sua primeira exposição individual, na Tanager Gallery de Nova Iorque, em 1961, apresenta os seus Little Great American Nudes [Pequenos grandes nus americanos], onde conjuga figuras inspiradas em Matisse e a bandeira estrelada. Um ano mais tarde, realiza as suas primeiras assemblagens sob o título de Still Life. Participa, em 1962, numa exposição coletiva intitulada The New Realists [Os novos realistas], na Sidney Janis Gallery, em Nova Iorque, onde mais tarde, em 1966, apresentará de uma exposição individual), considerada a primeira manifestação pública da Pop Art americana. Esta exposição, que lhe traz notoriedade, marca o início da sua carreira internacional. Figura então, ao lado de Roy Lichtenstein e Andy Warhol, como um dos três pilares mais conhecidos da Pop Art dos Estados Unidos da América. Irá proceder por séries, explorando os mesmos temas do «sonho americano». Começa por uma série de Bathtub Collages [Colagens de banheiras], cenas da vida quotidiana numa casa de banho comum. Em 1964, pinta os Bedroom Paintings [Pinturas de quartos], cenas em quartos de dormir, paisagens com imagens publicitárias, e retratos de fumadores (Smokers) até ao início da década de 1980.
O ano de 1981 é marcado pela publicação de uma obra monográfica, de um tal Slim Stealingworth, intitulada Tom Wesselmann. Por detrás do pseudónimo Stealingworth esconde-se Wesselmann em pessoa! Em 1983, produz os Metal Works [Trabalhos em metal], em que este material é cortado a laser e depois pintado a acrílico. Ao longo dos anos, o erotismo das suas pinturas de nus intensifica-se, com detalhes ampliados da anatomia feminina e a integração de elementos reais como penugens, peles... Nos últimos anos, consagra-se aos Blue Nudes [Nus azuis] em homenagem ao Nu bleu de Henri Matisse, a sua referência ao longo de toda a vida, onde retoma a técnica dos papéis recortados. Pouco antes da sua morte, introduz em 2003 uma última referência a Matisse em Sunset Nude with Matisse Odalisque [Nu ao pôr-do-sol com odalisca de Matisse].
AC