Black Spray
Data 1956
Técnica Mobile de pendurar com chapas e varas de metal pintadas
Dimensões 350.5 x 251.5 cm
ID Inventário UID 102-85
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A obra de Alexander Calder ocupa um lugar determinante no discurso escultórico que se assume desde os inícios do século XX, o qual propõe a reformulação dos pressupostos tradicionais. Contribuindo para a alteração dos princípios estéticos e ideológicos, Calder procurou, ao utilizar novos materiais que possibilitavam a reivindicação de um maior e mais expressivo dinamismo, captar os ritmos da natureza. Os seus mobiles, designação atribuída por Marcel Duchamp num texto publicado no catálogo Collection of the Société Anonyme (Yale University Art Gallery, 1950), são disso concretos testemunhos.
Pequenos arabescos livres e arbitrários, cujo movimento intrinsecamente implicado depende do vento ou da interação de outras forças ditadas pelas múltiplas possibilidades do acaso, os mobiles procuram mediar, alicerçados nos princípios da cultura oriental e na estética taoista, uma reaproximação ao espectador através dos sentidos. A obra Black Spray (1956), também um mobile, evidencia esta demanda. Desafiando a gravidade, Black Spray confronta os nossos sentidos com a noção de metamorfose que a realidade comporta. Tanto as finas peças de metal monocromáticas, como as sombras que as mesmas projetam no espaço envolvente, manifestam a dança abstrata da transitoriedade que guia a vida.
Declarações feéricas que remetem ao universo lírico de Calder, as folhas metálicas de Black Spray, sugerindo coreografias celebrativas, movem-se de um lado para o outro aleatoriamente, demonstrando que nada é fixo e imutável, nem mesmo a relação que com elas estabelecemos – esta varia consoante a força da brisa que dita o movimento. Os mobiles, relembram, deste modo, a lei da variação a que vida se encontra condenada. São símbolos da Natureza, «dessa Natureza pródiga que dissemina pólen ao soltar um voo de mil borboletas; dessa Natureza impenetrável que recusa revelar-nos se é uma sucessão cega de causas e efeitos ou a tímida, hesitante, tentativa de desenvolvimento de uma ideia» (Jean-Paul Sartre, 1946). AMB