Le Porte-bouteilles
Data 1914 - 1964
Técnica Ferro galvanizado
Dimensões 59 x 37 cm
ID Inventário UID 102-178
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A partir de 1914, Marcel Duchamp mostra no seu atelier um Séchoir à bouteilles (que será fotografado por Man Ray). Mesmo se não há ainda nenhum jogo sobre os significados, através de uma nova denominação – como, mais tarde, em 1917, o urinol rebatizado Fontaine [Fonte] –, a obra já é assinalada e constituída pela sua simples apresentação. «Ready-made» [Já feitos) é o nome dado por Marcel Duchamp, a partir de 1916, aos objetos que selecciona e assina. A escolha dos objetos obedecia a um duplo princípio de indiferença e economia, tendo os ready-made sido pouco numerosos: Trébuchet [Esparrela], Porte-bouteilles, Pelle à neige [Pá para a neve], por vezes acompanhados de títulos enigmáticos. Duchamp distinguia-os naturalmente em várias categorias (ready-made ajudado ou retificado, semi-ready-made, etc.). Tal como evidenciou Thierry de Duve, a maioria dos ready-made são, total ou parcialmente, feitos em ferro. O material teria sido escolhido devido ao jogo de palavras, em francês: fer (ferro) / faire (fazer). A tradução inglesa desta palavra permite mesmo uma outra leitura: iron (ferro) / irony (ironia)… «Um outro aspeto do ready-made é que não tem nada de único… A réplica de um ready-made transmite a mesma mensagem; de facto, quase todos os ready-made existentes hoje não são originais, no sentido literal do termo» (Conferência de Marcel Duchamp no MoMA, Nova Iorque, 1961). Em 1964 (quatro anos antes da sua morte), a galeria Schwarz de Milão editou os treze ready-made em oito exemplares assinados e numerados – segundo Duchamp, «hoje, a noção de original estendeu-se até ao oitavo exemplar». A Coleção Berardo conserva um dos exemplares do Porte-bouteilles.
J-FC