Happy Valley I
Data 1995
Técnica Prova cromogénea (Colour coupler print)
Dimensões 180 x 220 cm
ID Inventário UID 102-244
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Se num primeiro momento as fotografias monumentais de Andreas Gursky (1955), numa evocação romântica da noção de sublime, se detinham a capturar a natureza de modo a retratar a incomensurabilidade da mesma perante o homem que nelas aparece retratado de forma quase imperceptível (por exemplo, Alba, de 1989), numa fase mais avançada do seu trabalho notamos que a atenção se vira para as paisagens urbanas, para as massas anónimas e para as repetições deliberadas.
Com efeito, esta mudança no seu percurso reflete a aproximação aos ensinamentos de Bernd e Hilla Becher, os quais procuraram transmitir, através de um programa assumidamente conceptual, um modo de fotografar que transcendesse os tradicionais postulados impostos pelo próprio medium enquanto sistema de representação. Consequentemente, e tal como observamos em Happy Valley I e Happy Valley II (1995), as composições de Gursky pretendem, a partir de então, capturar as caraterísticas uniformizadoras da sociedade, na qual o «indivíduo perdeu a o seu caráter diferencial» (José Gómez Isla, 2001). O recurso às paisagens urbanas passa a significar, para o fotógrafo, um encontro com a verdade social, a única que, a seu ver, comporta a plenitude da realidade.
É neste sentido que o seu trabalho procura ir ao encontro de uma existência social padronizada, descortinando «um mundo que não é composto por casos solitários, mas por configurações que se repetem» (Martin Hentschel, 2008). Obras como Paris, Montparnasse (1993), atestam esta busca pela estandardização da paisagem urbana. Também Happy Valley II, em particular, se deixa revelar, neste âmbito, determinante. Fotografando sobre uma rede que cobre toda a paisagem, Gursky demonstra como é possível conquistar a congruência formal em contextos aparentemente heterogéneos. Deste modo, evidencia o quão a sociedade globalizada se encontra morfologicamente enraizada numa pluralidade infinita de micro-mundos tão particulares e, simultaneamente, unidos entre si por uma profunda homologia.
AMB