Oedipus and the Sphinx after Ingres
Data 1983
Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 198 x 147.5 cm
ID Inventário UID 102-032
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Francis Bacon nasce na Irlanda, filho de pais ingleses. Asmático em criança, negligenciado, acaba por ser rejeitado pela família, já durante a adolescência quando a sua homossexualidade é descoberta. Bacon passa vários anos em Berlim e depois em Paris, onde leva uma vida precária. De volta a Londres, estabelece-se como decorador e pinta as suas primeiras telas, muito influenciado pelo Surrealismo e por Picasso. Bacon é um artista autodidata e, em 1945, diz considerar-se um «principiante tardio». Cita com frequência obras de artistas clássicos. Para o presente quadro, inspirou-se fielmente na composição do tema que Ingres desenvolveu em três versões de Édipo e a Esfinge, das quais uma se encontra na National Gallery de Londres. «Édipo já não ocupa o centro da pintura, como em Ingres. É, antes, empurrado ou puxado para o lado direito, deixando apenas visível uma parte de si ao centro, que, fora isso, se encontra vazio: uma coxa e um pé, com uma volumosa ligadura que sobe quase até ao joelho e apresenta duas grandes manchas de sangue. Enquanto, em Ingres, Édipo é dominante, ocupando o centro, dominando a esfinge com segurança, Bacon transforma o vencedor em derrotado», escreveu David Sylvester. Édipo aparece como um atleta ferido, apresentando à Esfinge, como oferenda, a sua ferida no pé (que está na origem da tragédia). Ao longe, atrás do traçado delimitado pelos painéis monocromáticos cor-de-rosa, a Fúria sanguinolenta anuncia o inexorável destino. Pela sua construção, com o isolamento das figuras e a contração do tempo da tragédia que consegue traduzir, este quadro de 1983 é uma das suas obras maiores.
J-FC
Georges Hilaire; Georg Waechter Memorial Foundation; adquirido na Sotheby's, Nova Iorque, 1 de maio de 1996