Sabro
Data 1956
Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 202 x 120.5 cm
ID Inventário UID 102-308
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O artista recordava frequentemente as suas origens: a austera paisagem mineira da Pensilvânia, com as suas torres metálicas, as suas pontes ferroviárias e os seus comboios, onde Kline nasceu, em 1910, de pai alemão e mãe inglesa, e onde cresceu, em condições bastante difíceis, após o suicídio do pai em 1917. Depois de ter estudado em Boston e em Londres, Kline começa, em 1949, a transferir para grandes telas os numerosos desenhos que tinha feito a tinta negra, recorrendo aos materiais utilizados pelos pintores da construção civil: grossas pinceladas de trincha, sobre papel de jornal. Aumentados, ampliados, todos esses traços negros rapidamente feitos com a trincha parecem assemelhar-se a uma paisagem ou, então, terem sido trabalhados para formar uma espécie de alfabeto plástico. Franz Kline é o primeiro pintor expressionista abstrato que utiliza, quase exclusivamente, o preto e o branco. David Anfam estabeleceu também uma ligação de Kline com a fotografia, relacionando o seu trabalho, nomeadamente, com o de Robert Frank. Seis anos mais novo do que o seu amigo Willem de Kooning, expôs juntamente com os jovens talentos nova-iorquinos escolhidos pelos críticos de arte Clement Greenberg e Meyer Shapiro e pelo galerista Leo Castelli, em 1950. À semelhança de Pierre Soulages, em França, na mesma altura, Frank Kline criou um estilo próprio, ao utilizar o preto e o branco em grande escala. Apesar de muitas vezes se ter comparado a sua pintura à caligrafia japonesa, essa comparação não é verdadeira: «O espaço, na concepção oriental, é infinito; não é um espaço pintado, enquanto o meu é... A caligrafia é escrita e eu não estou a escrever».
J-FC