Achrome
Data 1958
Técnica Gesso sobre tela
Dimensões 80 x 60 cm
ID Inventário UID 102-355
A partir de 1956, Piero Manzoni abandona a pintura de paisagens para construir uma obra teórica à volta do que começa por designar como uma «pinttura organica» (pintura orgânica). Os Achromes são, na sequência das suas pesquisas, uma série iniciada em 1957, cujo princípio consiste em trabalhar com «materiais puros». Manzoni caia a tela com gesso líquido e cola. O branco, que é para ele, a ausência de cor definida pelo título da obra. A obra consiste no embebimento do tecido da tela e na sua secagem segundo condições naturais. Os Achromes são não-cor, matéria tangível e tátil, o contrário das obras monocromáticas de Yves Klein, de onde Manzoni partiu. Num texto publicado na revista Azimuth, em 1960, Manzoni escreve: «(assim) a matéria transforma-se numa energia pura». «Porque não procurar descobrir o sentido ilimitado de um espaço total, de uma luz pura e absoluta?» Aproximar-se-á, depois, do grupo Zero e realizará a controversa série das 90 latas de conserva com o conteúdo unitário de 30 gramas de «Merda d’artista». Germano Celant chegou mesmo a estabelecer um paralelo com Pasolini, que também abordou os dejetos nos seus filmes, de Accatone a Saló.
J-FC