Atomists: Evasive Action
Data 1996
Técnica Imagem gerada por computador; impressão sobre papel
Dimensões 199 x 99.5 cm
ID Inventário UID 102-415
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A obra singular do artista mexicano Gabriel Orozco distingue-se pela diluição das fronteiras entre a arte e a realidade. Recusando a nomenclatura «nómada», para antes se assumir enquanto «imigrante» (Molly Nesbit, 2000), Orozco reflete no seu trabalho a transitoriedade imbuída no fluxo migratório que reveste a sociedade atual. Em jogos do acaso que, mediados por uma estratégia de re-significação, confrontam a lógica e procuram accionar uma posição reflexiva no espectador, as suas obras condensam o último rasgo de espontaneidade que ainda se permite no ato criativo e apreendem a vida – recorde-se a obra emblemática My Hands Are My Heart (1991).
A procura de novas perspetivas para aquilo que entendemos como certo revela-se premissa fundamental no trabalho de Orozco, que vive sob as constantes deslocações referenciais que disputam lugar num universo repetitivo e ficcional. Atomists: Evasive Action (1996) é disso exemplo. Esta obra, cujo título remonta à teoria atomista defendida pelo filósofo grego Demócrito de Abdera, a qual se centra na ideia de que tudo o que existe é composto por átomos, elementos indivisíveis e em constante trânsito, integra uma série de recortes de jornais desportivos britânicos sobre os quais Orozco projetou formas circulares que parecem flutuar.
Apresentada pela primeira vez em Londres, na exposição Empty Club, em 1996, Atomists: Evasive Action, inclui um sistema de discos esféricos e ovalados de dimensões e cores variáveis que, circulando pela composição num impulso gravitacional, promovem o movimento numa imagem por si só dotada de dinamismo. Deste modo, apresentada à escala humana, confronta o espectador com a transitoriedade e contraria, como num «impasse flutuante» (numa expressão do próprio Orozco), a existência enquanto presença inalterável. Contudo, os círculos, nunca totalmente coloridos, marcam a ausência enquanto formas do vazio – arquipélagos, eles são o lado inexplicável desse caráter transitório, sinais, ou pistas, que descortinam um vácuo impossível de preencher.
AMB