O orçamento branco das artes na era pós-industrial

O orçamento branco das artes na era pós-industrial
06/06/2018
Horário: 
18h00
Preço: 
VIII Ciclo de Conferências ECATI/ MCB
0,00 €
O orçamento branco das artes na era pós-industrial
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VIII Ciclo de Conferências ECATI/ MCB
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Corpo de texto: 
 
Apesar das recentes contestações ao orçamento do Ministério da Cultura para as artes performativas, é preciso reconhecer que nunca o universo das atividades culturais se sustentou tanto nos dinheiros públicos como hoje. No plano europeu, o programa Europa Criativa foi dotado de um orçamento global para o período 2014–2020 de 1,46 mil milhões de euros — ou seja, uma progressão de 9 % em relação ao exercício anterior. No plano nacional, os ministros da Cultura e dos Negócios Estrangeiros anunciaram em Fevereiro de 2017 um programa milionário para apoiar no mesmo ano a internacionalização das atividades culturais criadas em Portugal. 10 % do orçamento daqueles ministérios foi utilizado para apoiar 1300 acções de artistas nacionais em 75 países.
 
Este enorme investimento nas artes não exprime qualquer conversão dos governos às virtudes da criação e à relevância das experiências de gosto. Pelo contrário, revela que o potencial crítico das artes se perdeu inteiramente para o seu potencial económico. A euforia em torno da criação de museus, fundações, cursos de curadoria entrevê uma nova forma de economia. Estamos agora perante a «economia do enriquecimento», como lhe chamaram os sociólogos Luc Boltanski e Arnaud Esquerre num livro publicado em 2017.
 
Segundo estes sociólogos, passámos de um capitalismo industrial para uma economia de criação de valor especulativo. Este valor, criado ou aumentado, depende de novos vínculos que liguem património, museus, luxo, arte e turismo. Na era da pós-industrialização, a economia do enriquecimento, não apenas um dispositivo que dissolve a autonomia criativa ou crítica da arte, também faz das atividades artísticas seu operador e princípio de legitimação.
Como retomar então a carga revolucionária da criação artística sem recusar os enredos económicos das atividades culturais? Para tentar uma resposta, propomos uma pequena análise do caso da Fábrica do Braço de Prata, 10 anos após a sua criação.
 
 
Nuno Nabais é o fundador e diretor da Fábrica do Braço de Prata — livraria de ciências humanas, editora, com salas de concertos, galeria de arte, escola de música, restaurante. Desde 1995, é professor auxiliar no Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Entre 1998 e 2000, ensinou Teoria do Teatro na Escola Superior de Teatro e Cinema. Entre 2000 e 2010, ensinou Teoria do Trabalho do Ator no Departamento de Artes da Universidade de Évora. Desde 2013, colabora no Programa de Doutoramento FCT em Filosofia da Ciência, Tecnologia, Arte e Sociedade na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. É autor de Metafísica do Trágico: Ensaios sobre Nietzsche, Relógio d’Água, 1997; e A Evidência da Possibilidade: A Questão Modal na Fenomenologia de Husserl, Relógio d’Água, 1998.
 
 
Conferência apresentada no âmbito do VIII Ciclo de Conferências Internacionais sobre Arte, História e Pensamento, organizado pela Escola de Comunicação, Artes e Tecnologias de Informação da Universidade Lusófona, em conjunto com o Museu Coleção Berardo.
 
Quarta-feira, 6 de junho, às 18h00. Auditório do Museu. Entrada gratuita, sujeita ao número de lugares disponíveis.