Tratado do tempo. Ciclo de conversas temáticas a partir da obra "Purple", de John Akomfrah

Tratado do tempo. Ciclo de conversas temáticas a partir da obra "Purple", de John Akomfrah
24/02/2019
- 10/03/2019
Horário: 
16:00
Conceção: 
Joana Batel
Orientação: 
Joana Batel
Preço: 
Visita orientada
0,00 €
Tratado do tempo. Ciclo de conversas temáticas a partir da obra "Purple", de John Akomfrah
24/02/2019
- 10/03/2019
Horário: 
16:00
Conceção: 
Joana Batel
Orientação: 
Joana Batel
Preço: 
Visita orientada
0,00 €
Corpo de texto: 

Vivemos no mundo e inevitavelmente somos tocados por ele a partir da dúvida, da curiosidade, da admiração. Mas o mundo escapa a todo o instante, há sempre mais mundo, mais espanto, mais apreensão. Purple, de John Akomfrah, não é um olhar íntimo do mundo e muito menos um manifesto sociopolítico sobre as desordens do mundo. Purple é uma alegoria sobre aquele toque, que é tão mundo quanto vida, e do qual urgem perguntas, cada vez mais perguntas, à medida que a vida corre e nela o mundo anoitece.


1.ª sessão — Alegoria
24 de fevereiro às 16h00

«Numa obra de arte de ordem mais elevada, bem como numa formação orgânica, o prodigioso não é a forma singular, mas o aparecer de uma forma a partir de outra.»
Hugo von Hofmannsthal

O restituir do mundo pela representação tem por paixão o construir de uma presença. Por isso, a representação firma-se não na imitação da realidade mas sim na capacidade de fazer aparecer a realidade.
Assim, detetar pode estar mais próximo da verdade do que ver. Na deteção, a imagem propaga-se noutras imagens, e esta propagação vem da sua força interior, da sua capacidade. Detetam-se invisibilidades que se unem. O prodígio da alegoria é a sua força de união — que dá a ver, que torna presente.
Nesta sessão, vamos conversar sobre a alegoria, partindo de obras como Purple, de John Akomfrah.


2.ª sessão — Vanitas
03 de março às 16h00

«Não quero ser um enfant terrible. […] Quero ser um velho rabugento.»
John Akomfrah

A perceção do mundo de um jovem é diferente da daquele que já tenha vivido várias décadas. Ao primeiro, permite-se a irreverência própria da juventude; ao último, permite-se o impróprio.
O tempo passa por tudo e todos, gravando as crises e as prosperidades. Há vários tempos: as horas, os séculos, as geologias. Mas o nosso tempo é o agora, e este agora mostra-nos um novo tempo. Chamam-lhe Antropoceno: uma nova era geológica, porque crava na pedra as dores da natureza provocadas pelo homem. A responsabilidade ética de cada um é não ceder ao encantamento; antes, é levantar problemas, mesmo que de forma amadora.
Nesta segunda sessão, vamos conversar sobre a vanitas, não só como imagem desencantada do mundo mas também enquanto força simbólica para a implicação.

 

3.ª sessão — Água
10 de março às 16h00

«O homem é feito de água. Seria uma estátua incolor e quase transparente, quase invisível, se não fosse a armação de pedra em que se firma e as várias imagens misteriosas refletidas na sua superfície.»
Teixeira de Pascoaes

A água é um dos elementos essenciais para a sobrevivência do homem. Mata a sede e purifica o corpo. Da espuma marulhante nasce Vénus. Já o homem tem de rebentar as águas para nascer; na morte, a corrente da água encaminha o corpo ao seu destino. A superfície espelha, mas também deturpa. É símbolo vital para muitas culturas e objeto de estudo para várias ciências. No presente, soma-se a preocupação: o nível das águas, a escassez, o desperdício, a salinidade e a potabilidade.
Que relação temos com a água? Terá esta ainda um poder simbólico?

 

Gratuito, Sem marcação prévia (mediante aquisição de bilhete de entrada)