Travelling - O «acontecimento» arquivial

Travelling - O «acontecimento» arquivial
22/03/2017
Horário: 
18:00
Preço: 
Conferências
0,00 €
Travelling - O «acontecimento» arquivial
22/03/2017
Horário: 
18:00
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Corpo de texto: 

 

Travelling -  O «acontecimento» arquivial
Oradores: José Maçãs de Carvalho e Ana Rito
 
O filme projecta-se em nós, os projectores. 
 
Okwui Enwezor, em Archive Fever: Uses of the Document in Contemporary Art  (2008), fala da existência do tempo do sujeito e do tempo do mundo “a acontecer”. No hiato entre estes dois tempos distintos, está o arquivo. E pensar este arquivo, é pensar na sua potencialidade discursiva, nas narratividades que projecta, na reverberação e no eco, na tradução e nos intervalos.
O que pode, então, um arquivo? Enwezor “extende” a leitura do arquivo, olhando-o como medium em si, na sua relação com a História, do qual participa enquanto documento, e com a arte contemporânea, que transforma, precisamente este documento em “monumento”. 
Ora, é nesta transitoriedade própria dos processos arquivísticos que a exposição Arquivo e Democracia (2017) de José Maçãs de Carvalho, com curadoria de Ana Rito, se situa. Apostada numa espécie de sistema cinestésico de navegação próprio e adquirido in situ, também ele mutável, Arquivo e Democracia propõe ao espectador atravessar estes territórios abertos, conectá-los através da sua imagética pessoal e participar da montagem espacial que se desenvolve a partir do seu próprio ponto de vista enquanto corpo dinâmico no espaço. 
A mutabilidade inerente a este processo atesta a leitura on the move de obras de natureza híbrida, com carácter de instalação, e que integram imagens de proveniência diversa (vídeo e fotografia). 
 
A presente comunicação centrar-se-á na passagem destes corpos e destas imagens, assim como das palavras e dos gestos, “coreografados” por José Maçãs de Carvalho: uma multiplicidade de arquivos, que relacionam a fotografia e o vídeo, o fixo e o movente, a paisagem e o lugar, o material e o espectral, o público e o privado, o vivido e o imaginado, e mais especificamente, a atenção e a distracção.
 
José Maçãs de Carvalho (Anadia,1960)
Doutorado em Arte Contemporânea pelo Colégio das Artes da Universidade de Coimbra, em 2014; estudou Literatura nos anos de 1980 na Universidade de Coimbra e Gestão de Artes nos anos de 1990, em Macau onde trabalhou e viveu; Professor no Dep. de Arquitetura e no Colégio das Artes (Subdiretor) da Universidade de Coimbra.
Foi bolseiro da F.Calouste Gulbenkian, F.Oriente, Instituto Camões, Centro Português de Fotografia e Instituto das Artes/Dgartes, Em 2003 comissaria e projecta as exposições temporárias e permanente do Museu do Vinho da Bairrada, Anadia; em 2005 comissaria “My Own Private Pictures”, na Plataforma Revólver, no âmbito da LisboaPhoto. Nomeado para o prémio BESPhoto 2005 (2006, CCB, Lisboa) e para a “short-list” do prémio de fotografia Pictet Prix, na Suiça, em 2008. 
Entre 2011 e 2014 realizou 4 exposições individuais em torno do tema da sua tese de doutoramento (arquivo e memória). Em 2015, foi publicado um livro de fotografias suas, “Partir por todos os dias”, na Editora Amieira. Já em 2016, participa no livro “Asprela”, fotografia sobre o campus universitário do Porto, editado pela Scopio Editions e Esmae/IPP.
 
Ana Rito (Lisboa, 1978)
Doutorada em Belas Artes – Vídeo-Instalação. O seu domínio de especialização centra-se nos novos media, performance e vídeo-instalação, a imagem movente e as dinâmicas do espectador, plataformas transmedia, curadoria e programação.
Dos seus projectos curatoriais destacam-se a exposição SHE IS A FEMME FATALE na Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Museu Colecção Berardo, em 2009; One Woman Show, Organização do Ciclo de Filmes em colaboração com o Festival Temps d`Images, Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Museu Colecção Berardo, em 2009; SHE IS A FEMME FATALE#2, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Biblioteca do Campus de Caparica, Almada, em 2010; OBSERVADORES – Revelações, Trânsitos e Distâncias, Fundação de Arte Moderna e Contemporânea Museu Colecção Berardo, (Co-Curadores Dr. Jean-François Chougnet e Hugo Barata); CURATING THE DOMESTIC Images@home, Trienal de Arquitectura de Lisboa, em 2013; A IMAGEM INCORPORADA/THE EMBODIED VISION – Performance para a câmara - Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado (MNAC), com co – curadoria de Jacinto Lageira, em 2014.