VIII Ciclo de Conferências ECATI/MCB

TEMA: ARTE E PÓS-MEDIUM

Numa passagem das Lições sobre Estética de Hegel, podemos ler o seguinte: «[…] basta recordar a este respeito que a obra de arte procede do espírito, que é de natureza espiritual e que, por isso, nos parece que está mais próxima de nós que o produto Natural […] e enquanto o espírito se instala nos seus produtos exteriores, não se falseia nem se perde a si mesmo neles […] Para nós, a determinação suprema da arte é, em conjunto, algo do passado, é para nós, algo que entrou na representação, a peculiar representação da arte já não tem para nós a imediaticidade que tinha no tempo do seu apogeu supremo».

Esta passagem inaugura um conjunto vasto de mortes que se foram sucedendo na história do pensamento ocidental: a morte de deus, a morte do homem, etc., e depois as suas formas secularizadas, com a introdução do pós em muitos dos substantivos que descrevem a criação cultural e artística: pós-modernidade, pós-medium, pós-verdade... Em verdade, Hegel nunca falou em morte de nada, apenas remete a arte para o passado, para o domínio da representação e não para o domínio da experiência directa, para o domínio em que a arte fazia parte da acção humana, do agir humano em comum e em que a arte era um elemento fundamental nas sociedades humanas. Essa passagem da experiência directa para a representação, para a experiência mediada e, agora mediatizada, podemos hoje encontrá-la em quase todos os domínios da experiência humana. Vemos que esse alargamento do sensível, na sua distribuição ao domicílio −para reiterarmos a expressão de Paul Valéry usada por Benjamim− é hoje um facto sem aparente retorno. Hans Magnus Enzensberger, o primeiro autor a referir directamente os fundamentos ou fundações para uma a compreensão dos media, em 1970, já tinha mostrado o princípio evocado por McLuhan de que os media estão sempre mais na condição de se elidirem naquilo que eles próprios produzem do que se evidenciarem nessa produção. As críticas de Enzensberger à teoria marxista dos media é clara, a saber: os marxistas carecem por completo de uma ideia do funcionamento técnico dos media, não têm a menor noção do que significa o fazer técnico do homem no seu concreto e que, por isso, foram até agora cegos para uma verdadeira episteme do funcionamento dos media.

Neste VIII CICLO das Conferências ECTATI/MCB queremos tratar de elucidar as relações que as mediações têm vindo a realizar sobre o campo da cultura e das artes e como se pode, ou deve, pensar hoje o secular pós que se antepõe aos descritivos do nosso tempo.

João Manuel Marques Carrilho

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