Carla Filipe. da cauda à cabeça

Carla Filipe. da cauda à cabeça
Exposição temporária
29/01/2014
- 04/05/2014
Piso: 
0
Curadoria: 
Pedro Lapa
Carla Filipe. da cauda à cabeça
Exposição temporária
29/01/2014
- 04/05/2014
Piso: 
0
Curadoria: 
Pedro Lapa
Corpo de texto: 

 

O trabalho de Carla Filipe (n. 1973) tem vindo a revelar-se como um dos mais significativos projetos que se manifestaram em Portugal no final da década passada. O seu trabalho procede a uma arqueologia das questões e dos modos de vida que despertaram, no curso da modernidade, determinadas formas associadas a expetativas de um outro mundo cuja realização se revelou bem diversa. Muitos dos seus trabalhos revelam um cariz autobiográfico, alguns reportam-se a episódios de micro-histórias, outros à própria história, social e política. Todos eles são constituídos por uma estrutura narrativa onde o objeto, o desenho, a palavra e a instalação constituem os meios recorrentes.

da cauda à cabeça consiste num projeto inédito de grande escala realizado para esta exposição no Museu Coleção Berardo e reúne alguns trabalhos prévios com muitos outros especialmente concebidos para o efeito. Centra-se numa investigação sobre os caminhos de ferro portugueses e traz para o espaço do museu fragmentos de habitações, estruturas arquitetónicas, mobiliário, coleções de fardamentos, bandeiras sindicais, elementos e mecanismos funcionais do quotidiano das estações ferroviárias, filmes ficcionais e documentais ou desenhos de máquinas, que se vão articulando uns com os outros, a par de resíduos autobiográficos, de forma a criar um arquivo fantasmagórico, que destitui qualquer pretensão de abordagem científica para revelar um conhecimento sensível de uma realidade histórica.

Tal como na maioria dos projetos de Carla Filipe, em da cauda à cabeça os objetos do mundo, relacionados entre si, fora das suas funções instrumentais, traçam um feixe de relações suscetível de definir um amplo conjunto de narrativas que complexificam a sua aparente simplicidade ou mesmo insignificância. Eles tornam-se um suplemento material por entre as histórias ausentes que deles partem e para eles reenviam. Como tal, revelam-se o espaço de consignação da memória que o trabalho de Carla Filipe acorda e reinventa.

 

Pedro Lapa
Diretor artístico

Texto secundário: 

«Ao proporcionar um momento onde a arte e o arquivo convivem no espaço museológico, potencia-se um conhecimento mais alargado sobre os caminhos de ferro portugueses, a sua geografia, a arquitetura, o contexto sociopolítico e a sua musealização.»
Carla Filipe