Linha, Forma e Cor - Obras da Coleção Berardo

Linha, Forma e Cor - Obras da Coleção Berardo
Exposição temporária
Inauguração: 
21 Mar 2018 - 19h
22/03/2018
- 16/09/2018
Piso: 
0
Linha, Forma e Cor - Obras da Coleção Berardo
Exposição temporária
Inauguração: 
21 Mar 2018 - 19h
22/03/2018
- 16/09/2018
Piso: 
0
Corpo de texto: 
“Inventar o mundo - Aquilo que não vemos
pode, mesmo assim, ser real.“
Gerhard Richter
 
Esta exposição centra-se na análise de um conjunto de obras da Coleção Berardo, em que os artistas utilizam livre e criativamente a linha, a forma e a cor - elementos que estão intrinsecamente ligados à nossa vida, a tudo o que vemos, tocamos ou sentimos e que podem ser considerados os principais blocos de construção da arte abstrata desde o início do século XX.
 
O aparecimento da fotografia no princípio do século XIX tornou incongruente toda a forma de pintura naturalista e imitativa e levou os artistas a debaterem, questionarem e rejeitarem o conceito de arte. Mas o século XX não se limitou a debater, questionar e rejeitar o conceito de arte, preocupou-se também em defini-lo e redefini-lo, testando as suas possibilidades através da multiplicidade de estilos e movimentos. 
 
A presente exposição pretende, a partir de quatro artistas presentes na Coleção Berardo - Malevich, Mondrian, Josef Albers e Ad Reinhardt – analisar a arte abstrata, o enorme leque de ações e possibilidades expressivas que dela surgiram, através da grande tensão que existe entre os seus diferentes ramos (não-objetiva, não-figurativa, absoluta e concreta).
 
A arte abstrata surge no início do século XX, a partir das experiências das vanguardas europeias que recusam a herança renascentista das academias de arte e usam os elementos puros das artes visuais - como as cores, as linhas e as formas geométricas - na composição das suas obras, de uma forma não representacional e absolutamente livre.
 
É, no entanto, a partir dos anos 40, no período pós-guerra, que a arte abstrata alcança o seu triunfo. Tendo começado em Paris, importada por artistas holandeses, russos e alemães que emigraram, conquistou a Europa inteira, ultrapassando fronteiras, continentes e oceanos, sendo o reflexo do estado de espírito dos artistas, profundamente tocados e afetados pelas ondas de choque que abalaram os valores da civilização, da cultura e da arte.
 
É neste estado de espírito, aliado à sensação de liberdade que se vivia e à crença numa arte universal sem fronteiras, que devemos inserir o triunfo da arte abstrata no pós-guerra.
 
Malevich foi o primeiro artista que tentou seriamente chegar à pintura absoluta, purificada de qualquer alusão objetiva, através da supremacia da cor e da forma que nos permitiria alcançar a sensação pura e o carácter dinâmico da obra de arte. O seu pensamento influenciou profundamente a obra de artistas como Yves Klein, Manzoni e Robert Ryman.
 
Para Piet Mondrian, a eliminação do real e do visível era um princípio filosófico e transcendental que foi alcançado através de uma pureza estética, criada a partir dos elementos e das cores puras. Mondrian e o movimento De Stijl influenciaram os artistas do Action Painting, da arte monocromática, da arte cinética, da pintura zero e da Op Art.
 
Influenciado pelo De Stijl, Josef Albers apresenta uma extrema redução da forma, elaborada com grande perfeição pictórica e técnica. As suas pinturas maiores, a série Homenagem ao Quadrado, pintadas a partir de 1950, demonstram claramente como as coisas elementares são inexplicáveis. A sensação de insegurança que as suas obras provocam são, sem dúvida, a grande prova da falibilidade da nossa percepção. A combinação das possibilidades perceptivas é infinita e a incapacidade de o nosso olhar as fixar é dolorosamente evidente, tanto física como mentalmente. É necessário ter uma enorme sensibilidade para captar as suas nuances e reconhecer a originalidade da sua obra. 
 
Para Reinhardt, a pintura só era concebível como sendo o produto de uma cultura à beira do fim. As suas pinturas aproximam-se do ponto zero, do que não é visível. Na década de 1950, utiliza apenas uma cor, passando do azul para o preto, capaz de variações infinitas, com a adição de cores primárias. Um preto que inclui todas as cores, que significa tudo, precisamente porque é negativo, propondo uma arte pura e vazia, absoluta, exclusiva, não-objectiva, não-representativa, não-expressionista, independente, intemporal e não-subjectiva. 
 
Hoje, e com o distanciamento que o tempo nos permite, podemos concluir que a arte abstrata não foi unificadora, não aboliu a beleza nem eliminou o individualismo, antes pelo contrário, deu origem a inúmeras possibilidades  expressivas, algumas das quais tentaremos analisar nesta exposição através do jogo de conceitos, intuições e sentimentos que os artistas exploram e que nos provocam diferentes emoções e interpretações, tornando-as assim emancipadoras e renunciando às mensagens que nos são impostas.
 
Obras de  Josef Albers, Fernando Calhau, Alan Charlton, Noronha da Costa, José Pedro Croft, Ian Davenport, Fernanda Fragateiro, Al Held, Gary Hume, Ann Veronica Janssens, Peter Joseph, Yves Klein, Imi Knoebel, José Loureiro, Kazimir Malevich, John McCracken, Ana Mendieta, Piet Mondrian, Bruce Nauman, Ad Reinhardt, Pedro Cabrita Reis, António Sena, Ângelo de Sousa, Frank Stella, Hiroshi Sugimoto, Cy Twombly e Victor Pires Vieira.
 
Curadoria de Rita Lougares e Jorge André Catarino
 
Exposição patente até 16/09/2018
 
Texto secundário: 

Folha de Sala [PDF 1,1Mb]