Salvador Dalí
Ano, local de nascimento 1904, Espanha
Ano, local de morte 1989, Espanha
Filho de um notário de um pequeno porto catalão, Figueras, Salvador Dalí manifesta, desde muito cedo, um incrível talento. Aos dezassete anos, ingressa na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, em Madrid, para se tornar professor, segundo os desejos do pai. Interessa-se tanto pela pintura antiga como pelas obras dos futuristas ou de Giorgio De Chirico. Estabelece uma relação de amizade com Federico García Lorca e Luis Buñuel. Em 1923, é expulso da escola que frequenta, por um ano, devido ao seu comportamento extravagante e aos protestos contra a incompetência de um novo professor. A primeira exposição individual tem lugar em 1925, nas Galerías Dalmau, em Barcelona. Lorca passa as férias com ele, em Cadaqués. Em 1926, faz uma primeira viagem a Paris e encontra Pablo Picasso, que o influencia (Arlequim). É definitivamente expulso da escola por declarar incompetente o júri que o iria examinar. As suas pinturas, que rejeitam os estilos modernos, contêm já os temas dos seus fantasmas recorrentes: as moscas, as formigas, o dedo fálico, a muleta, as formas viscosas e moles, a escatologia, a decomposição, a emasculação…
Em 1929, Salvador Dalí é apresentado por Joan Miró a André Breton. Integra o grupo surrealista após a projeção de Un Chien Andalou [Um cão andaluz], fruto da sua colaboração com Luis Buñuel. Durante o verão, conhece Gala, esposa de Paul Éluard, que se tornará sua musa e companheira. A sua primeira exposição em Paris, na galeria de Camille Goemans, data desse mesmo ano. Convencido das capacidades do jovem pintor para abrir de par em par as janelas mentais, Breton escreve-lhe o prefácio. Dalí prossegue a colaboração com Buñuel, escrevendo o guião de L´Âge d’or [A idade de ouro], em 1930, película que é proibida. Desenvolve o seu método de «paranoia-crítica», que lhe permite pintar, com uma técnica meticulosa, as suas delirantes interpretações da realidade (o prólogo do seu livro Interpretatión paranoico-crítica de la imagen obsesiva del «Angelus» de Millet é publicado em 1933). As referências escatológicas de certas pinturas, como El Juego Lúgubre [O jogo lúgubre] escandalizam os surrealistas, também incomodados com o exibicionismo da personagem. A sua admiração por Hitler levará à exclusão do grupo, em 1934, apesar de continuar a participar nas exposições e publicações: as edições surrealistas publicam o seu livro La Conquista de lo Irracional, em 1935, e o poema Metamorfosis de Narciso, em 1937; participa nas exposições surrealistas na Galerie Charles Ratton, em Paris, em 1936, nas New Burlington Galleries, em Londres, em 1936, e com o seu Taxi Lluvioso [Táxi chuvoso], na Galerie Beaux-arts, em Paris, em 1938.
As primeiras exposições nos Estados Unidos da América, a partir de 1931, conhecem um grande sucesso. Está presente no momento das duas primeiras exposições individuais, em 1934, na Julien Levy Gallery, em Nova Iorque, e no Avery Memorial do Wadsworth Atheneum, em Hartford. Torna-se o pintor surrealista por excelência, reputação jamais desmentida. Começa a ganhar muito dinheiro, donde o cognome de Avida Dollars, anagrama do seu nome. No Reino Unido, faz a capa do Times, em 14 de dezembro de 1936.
De 1940 a 1948, Dalí e Gala vivem nos Estados Unidos. A primeira grande exposição tem lugar no Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque, em 1941-1942. Aquele que optara pelo Franquismo na altura da guerra civil espanhola, revela um catolicismo ultra-ortodoxo, pintando Cristos em levitação. Trabalha em cinema, realizando as sequências oníricas do filme de Alfred Hitchcock Spellbound [baseado no romance The House of Dr. Edwardes, de Frances Beeding], em 1945, e colaborando com Walt Disney em Destino. Os anos seguintes, em Espanha, são feitos de edições, exposições, conferências e pesquisas sobre a relatividade e a terceira dimensão… Em 1964, recebe a Gran Cruz de la Orden de Isabel la Católica, a mais alta distinção espanhola. Iniciam-se as retrospetivas, entre as quais a do MoMA, em Nova Iorque, em 1965, e a do Musée national d'art moderne, em Paris, em 1979. Aquele que se tornou membro associado estrangeiro da Académie des beaux-arts do Institut de France, é feito Marquês de Púbol pelo rei Juan Carlos I.
AC

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