Francis Gruber
Ano, local de nascimento 1912, França
Ano, local de morte 1948, França
Francis Gruber é filho do célebre mestre vidreiro, Jacques Gruber, um dos criadores mais talentosos da Escola de Nancy e, de uma forma mais genérica, um dos maiores artistas decoradores da Art Nouveau na Europa. Este instala-se com a família em Paris, em 1914, e conhece uma próspera fase de renovação artística durante o período Art Déco. Tem dois filhos, Franz e Jean-Jacques Gruber, este último igualmente mestre vidreiro e reconhecido historiador de arte medieval.
A infância de Francis [Franz] Gruber é minada por crises de asma e a sua educação é feita em casa, na proximidade do atelier do pai e do de vizinhos como Roger Bissière ou Georges Braque. Inicia-se na pintura aos doze anos. A paixão do irmão pela Idade Média leva-o a interessar-se por pintores como Matthias Grünewald, Albrecht Dürer, Hieronymus Bosch, Jacques Bellange ou Jacques Callot.
Ingressa, em 1929, na Académie Scandinave, onde lecionam Henri de Waroquier, Charles Dufresne e Othon Friesz. Trava amizade com Pierre Tal-Coat, Emmanuel Auricoste e Francis Tailleux, bem como com os assistentes do pai, André Civet e Boris Taslitzky. Por intermédio do pai, expõe desde os dezoito anos nos Salões de Outono e das Tulherias. O Musée du Luxembourg adquire uma natureza-morta de sua autoria, tem ele vinte anos. A sua primeira exposição individual, na Académie Ranson, data de 1936. Após a morte do pai, nesse mesmo ano, instala-se no grande atelier da Villa d’Alésia. Aí, aproxima-se de Alberto e Diego Giacometti, que são seus vizinhos.
É reputado no meio de Montparnasse, tanto pela exuberância como pela intemperança. O jovem arrebatado afirma as suas convicções de homem de esquerda, defendendo que a arte e o progresso social devem andar a par. Por volta de 1935, milita na Maison de la Culture, ao lado de Louis Aragon, Jean Lurçat, Marcel Gromaire ou Jacques Lipchitz, e toma parte ativa nas iniciativas da Frente Popular. A sua pintura realista votada ao amor evolui sensivelmente para temas sociais, Hommage au travail [Homenagem ao trabalho], 1936, e outros, ligados à morte, Splendeur et sépulture [Esplendor e sepultura], ou à condição do artista e do escritor Le Poète, Hommage à Rimbaud [O poeta, homenagem a Rimbaud], e Hommage à Jacques Callot [Homenagem a Jacques Callot], ambos de 1942. Os seus desenhos são acutilantes, na tradição da arte antiga germânica.
Gruber escapa à guerra por razões de saúde, mas os anos que se seguem são sinónimo de depressão e solidão, como o mostram as suas vistas do atelier vazio. É atingido pela tuberculose. A sua saúde degrada-se progressivamente, tanto mais porquanto não renuncia aos seus excessos. O caráter patético das raras obras do último período exprime a angústia do pintor confrontado com uma época maldita. A Libertação corresponde a uma certa euforia, como o mostra a exposição Art et résistance, mas ajustes de contas e interesses partidários falam mais alto. Os pintores, divididos entre abstratos e figurativos, atacam-se mutuamente. Gruber torna-se membro do Partido Comunista, que lhe dá apoio e realce.
Francis Gruber morre, pouco tempo depois de ter obtido o reconhecimento nacional. É adulado durante alguns anos, como o testemunha a importante retrospetiva do Musée national d'art moderne, em Paris, em 1950. Torna-se uma figura emblemática do Salon des jeunes peintres, tendo dado origem ao miserabilismo, que será retomado, embora sem ser igualado, por pintores como Bernard Buffet ou Paul Rebeyrolle.
AC
Merchandising:
Portugal Museum Store /
Museu Berardo