Jean Hélion
Ano, local de nascimento 1904, França
Ano, local de morte 1987, França
Oriundo de um meio muito modesto, Jean Hélion decide instalar-se em Paris, aos dezassete anos de idade. A sua primeira visita ao Louvre é um tal choque que escolhe tornar-se pintor. Começa a frequentar as galerias e descobre a arte moderna. Mostra os seus primeiros quadros no Marché aux Puces, em Montmartre. Em 1925, abandona o emprego de desenhador num gabinete de arquitetura para se dedicar exclusivamente à pintura. Nesse mesmo ano, descobre a arte abstrata, estabelecendo ligação com Otto Freundlich. A sua evolução no sentido da abstração acelera-se pelo contacto com Joaquín Torres-García (que acolhe, durante dois meses, em 1926) e, mais tarde, com o pintor abstrato e teórico holandês Theo van Doesburg. Conhece igualmente Hans Arp, Antoine Pevsner e Georges Vantongerloo, em 1929, ano das suas primeiras pinturas abstratas.
Em 1930, Jean Hélion funda, com Van Doesburg, Otto Carlsund e Léon Tutundjian, o grupo Art Concret, destinado a dar continuidade à revista De Stijl, então em declínio. Aí, proclama que o quadro não tem outra significação além de si próprio. Em abril, é editado o primeiro e único número da revista Art Concret, onde publica «Les Problèmes de l’Art Concret, art et mathématiques». Pouco depois, trava conhecimento com Piet Mondrian e o seu atelier torna-se um dos locais de culto da vanguarda, onde se cruzam Joan Miró, Alexander Calder, Hans Arp, Mondrian, Fernand Léger ou Alberto Giacometti.
Em 1931, Hélion participa na formação do grupo Abstraction-Création, com Arp, Albert Gleizes, Auguste Herbin, Georges Valmier, Robert Delaunay, František Kupka, Tutundjian e Van Doesburg, concebido para fazer concorrência ao grupo Cercle et Carré de Michel Seuphor. É encarregue do primeiro número da revista do grupo, onde publica o texto «À solder». Por essa altura, Hélion, que frequenta Fernand Léger, Seuphor, Julio González, Amédée Ozenfant ou Jean Gorin, encontra-se no coração do núcleo da abstração parisiense. A sua pintura evolui das Tensions orthogonales [Tensões ortogonais], bastante próximas de Van Doesburg e Mondrian, para as Tensions circulaires [Tensões circulares] ou Premières courbes [Primeiras curvas].
1932 é o ano da sua primeira exposição individual, na Galerie Pierre Loeb, em Paris. Nesse mesmo ano, vai aos Estados Unidos da América, onde regressará nos anos que se seguem, cultivando inúmeras relações no meio artístico nova-iorquino e assumindo um lugar de destaque na divulgação do abstracionismo.
Em 1934, abandona o grupo Abstraction-Création por divergências teóricas: Hélion acredita que uma vez chegado ao Carré blanc [Quadrado branco], não se pode ir mais longe, mas que, pelo contrário, se pode percorrer o caminho inverso, da abstração à figuração. Para espanto dos seus inúmeros apreciadores e da crítica, a sua pintura evolui, então, inexoravelmente, no sentido do retorno ao sujeito. As suas últimas composições abstratas datam de 1939, altura de que datam, igualmente, obras como Figure tombée [Figura caída], onde se reconhecem formas cilíndricas ou cónicas truncadas, à maneira de Léger, evocando as diferentes partes do corpo humano. O segundo período na obra de Hélion, de 1939 a 1985, é caracterizado por séries de estudos tendo por tema o nu no atelier, a feira da ladra, a abóbora, a lagosta, a escada, o pão, o chapéu, o guarda-chuva, o carro de venda ambulante, as montras ou a rua. Trata-se do único pintor do século XX que percorreu esse trajeto inverso, tendo sido, a esse título, frequentemente incompreendido pelos seus contemporâneos.
AC
Obras
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1934
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1951
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