Frank Stella
Ano, local de nascimento 1936, Estados Unidos
Frank Stella estuda na Philips Academy, em Andover, e depois na Universidade de Princeton. Frequenta aí o atelier livre de William Seitz, depois o de Stephen Green, pintor residente. Pinta as suas primeiras telas num estilo inspirado pelo expressionismo abstrato. Visita as galerias nova-iorquinas e descobre as obras de Jackson Pollock, Franz Kline, Willem de Kooning ou Robert Motherwell. A viver em Nova Iorque em 1958, pinta quadros de grandes dimensões onde surge o motivo das bandas. Interessa-se pelos trabalhos de Barnett Newman e pelos ensinamentos da Bauhaus. Conhece Clement Greenberg, crítico que reage contra o expressionismo abstrato da Escola de Nova Iorque e que cria o conceito crítico de post-painterly abstraction (abstração pós-pictórica) que se opõe, pela «pureza» da sua linguagem, ao expressionismo e à Pop Art.
Frank Stella começa a série de vinte e três Black Paintings [Pinturas negras], uma repetição de bandas pretas paralelas da mesma largura separadas por um traço branco, seguindo uma composição geométrica rigorosa, que rejeita qualquer subjetividade, como é o caso de The Marriage of Reason and Squalor [O casamento da razão e da esqualidez, 1959]. Começa a expor os seus quadros em 1959 e chama imediatamente a atenção, integrando – no fim do ano – a exposição Sixteen Americans [Dezasseis americanos] no Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque, e apresentando a sua primeira exposição individual na Malden Public Library. A Leo Castelli Gallery em Nova Iorque contrata-o (primeira exposição individual em 1960) quando tem apenas vinte e três anos! A sua primeira exposição individual em Paris é na Galerie Neufville em 1960.
Dedica-se a séries: Aluminium Paintings [Pinturas de alumínio] em 1960 e Copper Paintings [Pinturas de cobre] em 1960-1961, bandas paralelas de cor de alumínio ou cobre sobre tela, sempre com a mesma largura, a do pincel, mas que conservam a marca do gesto. Ganha o hábito de dar a cada quadro de uma série um título pertencendo a um tema: Benjamin Moore Paintings [Pinturas de Benjamin Moore], Concentric Squares [Quadrados concêntricos], Mitered Mazes [Labirintos em esquadria], Dartmouth Paintings [Pinturas de Dartmouth], Moroccan Paintings [Pinturas marroquinas], Running V [Corrida em V], Notched V [Cortado em V] e Persian Paintings [Pinturas persas] (utilizando sempre bandas de cor paralelas, mas com cores vivas). A partir de 1962, começa as shaped canvases, telas esticadas sobre uma grade que já não é nem quadrada, nem retangular, mas em forma de L, T, U, X, W, em forma de trapézio, estrela, losango, em ziguezague... As bandas seguem a forma da grade, sem que se consiga perceber se é a grade que determina o desenho ou o contrário. Stella procura isolar os diferentes elementos constitutivos da pintura – grade, tela, cor, formato – para depois os redistribuir. Sublinha a imagem como objeto, mais do que a imagem como representação de alguma coisa, seja no mundo físico ou no mundo emocional do artista. Em 1965-1966, inicia a série Irregular Polygons [Polígonos irregulares], executando quatro versões de cada configuração. Em 1967, começa a série Protractor [Transferidor], com três versões de cada uma das trinta e uma configurações. Nestas suas últimas séries, joga com a assimetria. Até 1975, Frank Stella segue uma via «minimalista»: trabalhando sempre em séries, concentra-se nas relações cor/forma e liberta-se da forma tradicional do quadro.
Acompanhada de um estudo importante de William Rubin, a sua primeira retrospetiva – no MoMA – é em 1970, sendo depois apresentada em Londres, Amesterdão, Pasadena e Toronto. No início da década de 1970, trabalha relevos geométricos sobre madeira ou alumínio, evoluindo consideravelmente a partir de 1976. As conceções geométricas cuidadosamente construídas, executadas em planos lisos de cor, são substituídas por um modelo mais livre, expressionista, por vezes próximo do graffiti, com cores fluorescentes ou metálicas que, dada a sua exuberância decorativa, se podem qualificar de «barrocas». As telas, moldadas como esculturas, incorporam materiais diversos como gradeamentos, placas de alumínio ou pedaços de feltro (séries Exotic Birds [Pássaros exóticos], Indian Birds [Pássaros indianos], Brazilian [Brasileiro], Circuits [Circuitos], Playskool [Jardim de infância], Cone and Pillars [Cone e pilares]...), quase sempre de formato muito grande. A coleção Berardo possui Severambia, de 1995, que pertence a essa categoria. Stella, cujas obras estão expostas em todo o mundo, tem uma segunda retrospetiva no MoMA em 1987 (reposta em Amesterdão, Paris, Minneapolis, Houston e Los Angeles) que dá a conhecer essa segunda parte do seu trabalho.
AC
Obras
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Museu Berardo