Jean Tinguely
Ano, local de nascimento 1925, Suíça
Ano, local de morte 1991
Entre os doze e os catorze anos, Jean Tinguely apaixona-se pela construção de moinhos, nos arredores de Basileia, onde vive: a água de um ribeiro impulsiona uma roda munida de um came, que aciona martelos que percutem latas de conserva. Assim começa uma paixão que jamais o abandonará. De 1941 a 1943, é aprendiz de decorador, ao mesmo tempo que frequenta, embora com irregularidade, aulas de artes aplicadas na Kunstgewerbeschule em Basileia, interessando-se unicamente pelos trabalhos sobre materiais. De 1944 até final de 1952, data da sua partida para França, é decorador em Basileia e Zurique. Durante esse período, cria estruturas animadas em arame e trabalha sobre a desmaterialização dos objetos que se deslocam a grande velocidade. Fabrica caixas negras, sobre as quais dispõe elementos geométricos, tais quadros de Kazimir Malevich, que faz mover por meio de motores: os Méta-Malevitch. Por essa altura, conhece Daniel Spoerri, de quem se torna amigo. Apresenta as suas pesquisas – os Méta-Matics –, pela primeira vez, em 1954, em Paris, na Galerie Arnaud, e em Milão, no Studio d’Architettura b24.
Tinguely pertence à geração de artistas interessados pelo movimento e, a esse título, participa nas exposições de arte cinética e ótica da Galerie Denise René (exposição individual em 1956). Expõe os seus Reliefs sonores [Relevos sonoros], no Salon des Réalités Nouvelles [Salão das realidades novas], em 1955, e nessa ocasião, trava conhecimento com Yves Klein. No mesmo ano, o seu primeiro Relief Méta-mécanique Sonore [Relevo meta-mecânico sonoro] – apresentado numa exposição, na galeria Samlaren, de Estocolmo –, abre o caminho às séries Méta-Kandinsky, Méta-Herbin, etc., que retomam os princípios de composição desses pintores, ridicularizando-os.
Na Galerie Iris Clert, em Paris, em 1958, Tinguely apresenta Mes Étoiles, concert pour sept peintures [Minhas estrelas: concerto para sete pinturas]: os espectadores põem em movimento formas em relevo, que produzem sons. No ano seguinte, expõe máquinas que desenham (sempre na Galerie Iris Clert). O seu imponente Méta-Matic nº 17 produzirá, em 1959, quarenta mil desenhos, na Biennale des jeunes, em Paris, e provocará escândalo. Nos anos que se seguem, têm lugar happenings e performances. O mais conhecido é Homage to New York [Homenagem a Nova Iorque], uma máquina-escultura, que se autodestrói, em março de 1960, no jardim do Musem of Modern Art de Nova Iorque. Durante esta primeira estadia americana, expõe na Staempfli Gallery e conhece Robert Rauschenberg e Jasper Johns. Tinguely inscreve-se no espírito dadaísta, pela facécia provocadora e ridicularização dessas manifestações. O artista põe em causa o culto do progresso da sociedade de consumo, construindo, com a ajuda de objetos recuperados, «máquinas» deliberadamente imperfeitas, que são a negação do objeto industrial produzido pela sociedade. Tinguely ridiculariza o próprio ato criador.
Em outubro de 1960, é um dos fundadores do grupo Nouveaux Réalistes, com Arman, François Dufrêne, Raymond Hains, Yves Klein, Jacques Villeglé, Martial Raysse e Daniel Spoerri, sob a batuta do crítico Pierre Restany. Juntamente com Niki de Saint Phalle, que se tornou sua companheira nesse ano e que se reunirá ao grupo mais tarde, Tinguely começa a trabalhar em projetos comuns, como o touro que irrompe pelas arenas de Figueras para uma festa em honra de Dalí (1961). Multiplicam-se as intervenções e exposições, e Tinguely começa a receber encomendas, como a sua escultura Eurêka, de oito metros de altura, destinada à Expo 64, em Lausanne.
Em 1963, introduz o tema do mito de Sísifo. As máquinas, pintadas de negro, funcionam de modo repetitivo, indefinidamente, num perpétuo vaivém. Em 1970, em Milly-la-Fôret, o autor inicia a criação de Cyclop [Ciclope], uma estrutura gigante de exterior, realizada em colaboração com Bernhard Luginbühl, Larry Rivers, Niki de Saint Phalle, Daniel Spoerri e outros.
Em 1970, por ocasião do festival organizado para a celebração do segundo aniversário dos Nouveaux Réalistes, Tinguely instala La Vittoria – um falo gigante dourado, que se autodestrói, lentamente, pelo fogo – diante da Catedral de Milão. Sucedem-se as realizações, como a violenta crítica da sociedade de consumo que é a série Rotozaza (peças que jogam com bolas ou que partem pratos e garrafas) ou como as grandes esculturas realizadas em conjunto com Niki de Saint Phalle (em Estocolmo, em 1966: Nana, de vinte e cinco metros de altura e na qual se pode entrar). Em 1983, cria, sempre com a companheira, Fontaine Stravinsky (Fonte Stravinsky – ao lado do Centre Pompidou, em Paris), que se torna uma das suas realizações mais conhecidas do grande público. As retrospetivas (entre as quais a de 1988, em Paris, no Musée nacional d'art moderne) e os prémios por todo o mundo multiplicam-se. É-lhe consagrado um museu em Basileia.
AC
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