Paysage Noir
Data 1923
Técnica Óleo sobre contraplacado
Dimensões 31.5 x 39.8 x 1 cm
ID Inventário UID 102-186
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A proveniência desta obra é ilustre. Paul Éluard, quatro anos mais novo que Max Ernst, é um dos membros do grupo Dada parisiense, além de um dos maiores escritores surrealistas. Éluard ficou fascinado com a exposição de Ernst na Galerie Au Sans Pareil, em 1921. Desloca-se a Colónia para o conhecer. Escolhe onze colagens para ilustrar quarenta e nove poemas de Répétition [Repetição], um deles é dedicado ao pintor e é publicado em 1922. Passam as férias juntos no Tirol e realizam em conjunto Les Malheurs des immortels, révélés par Paul Éluard et Max Ernst. À chegada de Ernst a Paris, em 1923, ano desta pintura, Éluard é o seu principal apoio. O dono seguinte desta obra é Roland Penrose, pintor, poeta e fotógrafo inglês muito ligado ao movimento surrealista e que contribuiu para o seu desenvolvimento no Reino Unido. Segue-se a mulher de Humphrey Jennings que participou, em 1936, na organização da exposição surrealista em Londres. Esta obra é anterior à invenção da «frottage» em 1925. Numa antevisão do que irá fazer mais tarde, Ernst trabalha a matéria, que raspa, fricciona, e limpa de modo a surgirem formas: uma paisagem de água negra com rochedos nas margens, ao fundo , uma vegetação verde debaixo de um céu negro, com nuvens e um sol negro. Algumas paisagens (Aiguilles vertes et du dru, Roses de Iéricho [A rosa do deserto]) e figuras (Le Gaulois mourant [O gaulês moribundo], La Victoire de Samothrace [A Vitória da Samotrácia], Portrait de Paul Éluard [Retrato de Paul Éluard]) são realizadas por via da mesma técnica em 1923.
AC
Paul Éluard, Paris; Roland Penrose, Londres; Sra. Humphrey Jennings, Londres; leilão na Sotheby’s, Londres, 7 de julho de 1971; The Mayor Gallery, Londres; adquirido em 1997.