Torso, Self Portrait
Data 1963 - 1964
Técnica Bronze com pátina branca
Dimensões 58.1 x 38.6 x 16.5 cm
ID Inventário UID 102-71
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Filha de tapeceiros e tendo vivido a infância e a juventude nos arredores de Paris, Louise Bourgeois instalou-se em Nova Iorque, em 1938, após o casamento com o historiador de arte norte-americano, Robert Goldwater. É nessa cidade que entra em contacto com o meio dos surrealistas, muitos dos quais haviam trocado a França pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, e realiza a sua primeira exposição individual em 1945. Tendo desenvolvido o seu trabalho fora da cena artística dominante, permanece quase esquecida até que, na década de 1970, começa a manifestar-se um vivo interesse pela sua obra. «Todos os dias, temos de abandonar o nosso passado ou aceitá-lo, e aí, se não conseguirmos aceitá-lo, tornamo-nos escultores». Com base em numerosas declarações da artista, tem-se insistido bastante no esforço de introspeção que transpôs para a sua obra, em particular, a relação com o pai e a amante do pai. Não se pode, porém, resumir a obra da artista a esse exorcismo privado, nem, muito menos, a um simples feminismo, como bem referiu um dos mais importantes analistas do seu trabalho, Robert Storr. Encontramos nela uma filiação clara no surrealismo de Max Ernst ou de Victor Brauner. Em Torso, cujo molde de gesso original se encontra no MoMA de Nova Iorque, o busto está coberto por uns curiosos bicos, que Robert Storr compara às lançadeiras dos teares e vê, ao mesmo tempo, como falos e vaginas.
J-FC