José Gomes Pinto: A noite e o fogo: o caso ‘Guy Debord’

José Gomes Pinto: A noite e o fogo: o caso ‘Guy Debord’
30/03/2022
Horário: 
17:00
Preço: 
XII Ciclo de Conferências ECATI/MCB - Arte e Singularidade
0,00 €
José Gomes Pinto: A noite e o fogo: o caso ‘Guy Debord’
Preço: 
XII Ciclo de Conferências ECATI/MCB - Arte e Singularidade
0,00 €
Corpo de texto: 

A noite e o fogo: o caso ‘Guy Debord’
Orador: José Gomes Pinto

Nos últimos trinta anos, desde a sua morte em 1994, poucos autores foram tão citados como argumento de autoridade e, simultaneamente, foram tão pouco compreendidos na sua intencionalidade teórica e prática, como o francês Guy Louis Marie Vincent Ernest Debord. Ele próprio afirmava, em 1975, no seu filme Refutação de todos os juízos, tanto elogiosos como hostis que até agora se fizeram sobre o filme “A Sociedade do Espectáculo”, o seguinte: «Muitos asseveram que se entusiasmaram com este filme [La société du spectacle], mas nunca conseguiram explicar o porquê. Sempre que me vejo aplaudido por pessoas que deveriam ser minhas inimigas, pergunto-me que erro haverão cometido nos seus raciocínios. E isso é fácil de descortinar. Encontrando uma estranha quantidade de novidades e uma insolência que não podem compreender, os consumidores da vanguarda pretendem aqui aproximar-se de uma impossível aprovação, reconstruindo algumas estranhas belezas de um lirismo individual. Assim, uns querem admirar no meu filme um ‘lirismo da ira’; algum outro descobriu que a superação da vida quotidiana comporta uma certa melancolia; outros ainda, que sobrestimam muito o refinamento da actual vida quotidiana, atribuem-me um certo dandismo. Em todos eles, a velha canalha prossegue ‘a sua mania de negar tudo o que é, e de explicar aquilo que não é’».
Em verdade, A sociedade do espetáculo (o livro e o filme), encontra-se entre esses objectos que não podiam fugir do próprio destino: o de ser um livro/filme demasiado profético para o
seu tempo, um livro/filme que quando tinha pleno sentido não foi lido, um livro que, no momento em que mais se lê, comenta e traduz, carece de força analítica sobre real, ainda que contenha, a nosso entender, elementos que têm permanecido impensados e que possuem a capacidade para se fazer luz no actual organismo reflexivo. Essa força viral plasma-se no que Debord denomina “acções apropriadas”. Estas, como veremos, constituem-se como meios, podendo dar lugar, na actual crise do pensamento, a novas formas de experiência e, daí, a novas formas de consciência. Quer dizer, ajudam a alargar o nosso pensamento e singularizam o seu autor, como sempre foi seu desejo: verter vida e pensamento num mesmo plano.


José Gomes Pinto
Doutorado em Filosofia: Estética e Teoria da Arte. Lecciona na Escola de Comunicação, Artes, Arquitectura, Artes e Tecnologias de Informação da Universidade Lusófona. É Vice-diretor da ECATI, ULTH desde 2012. É Professor Convidado na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Mestrado em Design de Comunicação e Novos Media, desde 2012. Lecionou como Professor Convidado na Universidade de Salamanca, Espanha, e na Universidade de Évora, Portugal. Dirigiu o programa de Doutoramento em Arte dos Meia até 2019. Em 2007/8 foi pós-doutorando na Universidade Humboldt de Berlim, Faculdade de Filosofia III, Mediawissenschaft Seminar, sob a supervisão do Prof. Friedrich A. Kittler. As suas principais áreas de interesse são a Estética e Teoria da Arte, Arte dos Media e Teoria da Media, Filosofia da Tecnologia, Filosofia da Comunicação. É também Vice-Presidente da Associação Nacional Portuguesa de Comunicação.

 

Conferência apresentada no âmbito do XII Ciclo de Conferências Internacionais, intitulado "Arte e Singularidade", organizado pela Escola de Comunicação, Artes e Tecnologias de Informação da Universidade Lusófona, em conjunto com o Museu Coleção Berardo.

Quarta-feira, 30 de março às 17h00.
Auditório do Museu. Entrada gratuita, sujeita ao limite de lugares disponíveis