Philippe Garrel: Melodrama, Cinema

Philippe Garrel: Melodrama, Cinema
22/02/2022
Horário: 
17:00
Preço: 
XII Ciclo de Conferências ECATI/MCB - Arte e Singularidade
0,00 €
Philippe Garrel: Melodrama, Cinema
Preço: 
XII Ciclo de Conferências ECATI/MCB - Arte e Singularidade
0,00 €
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Philippe Harrel: Melodrama, Cinema
Orador: Edmundo Cordeiro

Philippe Garrel nasceu em 1948, filho de um grande actor, Maurice Garrel, que participou em muitos dos seus filmes. A partir de determinada altura, final dos anos 60, Garrel conhece Nico, a cantora, que passara pelos Velvet Underground e pelos filmes de Andy Warhol, e os seus filmes passam a ser com Nico, sobre Nico, sobre Nico e o seu filho, sobre Nico e o prório Garrel. E a presença de Nico há-de manter-se nos filmes de Garrel, sobrepondo-se na vida e nos filmes à vida e aos filmes com as outras mulheres, como, por exemplo, Brigitte Sy.
Vamos abordar alguns dos seus filmes, em particular os últimos, deixando de lado os primeiros, de cunho ritualista. Garrel evoluiu para um cinema de recorte formal mais protocolar, desenvolvendo o melodrama. Podemos com ele recolher algo em cinema que não encontramos noutros, como o nascimento do pensamento, ou o processo do pensamento: as personagens pensam, o íntimo é não só o reduto da emoção, mas igualmente o nascimento do pensamento. Viver é fazer nascer o pensamento, e isso está ligado ao corpo. A grande acção nos filmes de Garrel tem que ver com isso. O que é muito difícil de filmar.
Sempre, sempre, sempre o amor, na sua obra, que vem de trás, de muito trás nos seus filmes, e sempre, sempre, sempre a família — o último filme, «Le sel des larmes» (2020), tem um dos pais (um pai) mais espantosos da história do cinema — onde está evidentemente em causa a relação com o filho. Garrel, grande cineasta do melodrama.

Edmundo Cordeiro
Professor no Departamento de Cinema e Arte dos Media da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Investigador no CICANT – Centro de Investigação em Comunicação Aplicada e Novas Tecnologias. Publicou «Actos de Cinema» (Angelus Novus, Coimbra, 2005). Realizou «Todas As Cartas de Rimbaud» (PT, 2017).

 

Conferência apresentada no âmbito do XII Ciclo de Conferências Internacionais, intitulado "Arte e Singularidade", organizado pela Escola de Comunicação, Artes e Tecnologias de Informação da Universidade Lusófona, em conjunto com o Museu Coleção Berardo.
Terça-feira, 22 de fevereiro às 17h00.
Auditório do Museu. Entrada gratuita, sujeita ao limite de lugares disponíveis