André Gomes e Pedro Calapez. Seja dia ou seja noite pouco importa

André Gomes e Pedro Calapez. Seja dia ou seja noite pouco importa
Exposição temporária
Autor(es): 
André Gomes
Pedro Calapez
Inauguração: 
16 Jun 2021 - 15h
16/06/2021
- 17/10/2021
Piso: 
-1
André Gomes e Pedro Calapez. Seja dia ou seja noite pouco importa
Exposição temporária
Autor(es): 
André Gomes
Pedro Calapez
Inauguração: 
16 Jun 2021 - 15h
16/06/2021
- 17/10/2021
Piso: 
-1
Corpo de texto: 

Eu conheci-os durante a primeira metade da década de 1980, e desde então não nos perdemos de vista, nem perdi de vista os seus trabalhos, a propósito dos quais fui escrevendo. Entretanto, como não se trata de redigir uma memória biográfica, adianto que o meu ponto de partida será a hipótese de os trabalhos dos dois artistas serem um raro exemplo de perfeita complementaridade. André Gomes fala de «um dueto para violoncelo e piano», mas também de paralelos divergentes, sugerindo um modo de colaboração que estaria nos antípodas do cadavre-exquis. Vejamos.

É razoável supor que André Gomes sempre trabalhou e só trabalhou com imagens, apesar de sabermos que as referências para essas imagens provêm de muitas outras artes — teatro, cinema, música, literatura — além das chamadas artes visuais. As obras são o resultado laboriosamente construído de um trabalho de composição de imagens preexistentes. Entendemos aqui «imagens» nas suas aceções mais diretamente relacionadas com as noções de «imagética» e «imaginário».

É difícil supor que Calapez possa imaginar de modo exaustivo as suas pinturas — no caso destas pinturas em particular seria ainda mais difícil — antes de as pintar, mesmo que nos pareça aceitável que exista uma intencionalidade específica que se manifesta no decurso do processo do fazer e necessariamente — em cada obra em concreto — na decisão relativa à sua conclusão.

Não existe nenhuma imagem que preceda e antecipe aquilo que será o resultado final do processo de pintar, a imagem final — aquela que nós vemos — da obra acabada. A imagem só aparece no fim, e é pouco provável que se lhe deva chamar imagem, porque não é pacífico usar uma expressão como «a imagem de uma pintura». São pinturas. Serão imagens?

André Gomes sempre se aproximou das imagens, não sabemos se para alimentar a ilusão de que se poderia afastar delas. Calapez sempre se afastou das imagens, não sabemos se para alimentar a ilusão de que se poderia aproximar delas.


Excerto do texto «Crepúsculo das Imagens», de Alexandre Melo, presente no catálogo da exposição.


Visitas orientadas pelos artistas

19 e 27 de junho (sábado e domingo), 16h30
Limite: 15 pessoas, mediante Inscrição Prévia


Visita Segura

O Museu Coleção Berardo está certificado com o selo «Clean & Safe» do Turismo de Portugal e com o selo «Safe Travels» do World Travel & Tourism Council, cujos requisitos garantem ao visitante uma experiência em total segurança. Saiba mais aqui ou clicando nos selos.