Constelações III: uma coreografia de gestos mínimos

Constelações III: uma coreografia de gestos mínimos
Exposição temporária
Inauguração: 
15 Jul 2020 - 10h
15/07/2020
- 31/01/2021
Piso: 
2
Curadoria: 
Ana Rito
Hugo Barata
Constelações III: uma coreografia de gestos mínimos
Exposição temporária
Inauguração: 
15 Jul 2020 - 10h
15/07/2020
- 31/01/2021
Piso: 
2
Curadoria: 
Ana Rito
Hugo Barata
Corpo de texto: 

Aplicado à questão curatorial, o conceito de constelação elucida a definição dinâmica das relações formadas entre todos os envolvidos. Por um lado, denota os diferentes contextos em que cada um obteve o seu sentido e a sua função anteriores (que logo mudam, em consequência desta transferência de outros tempos e lugares para o novo encontro específico). Por outro lado, sugere que os envolvidos e a sua participação também se caracterizam por temporalidades próprias — historicidade, sequência, duração, timing, ritmo —, criando uma dinâmica respetiva nas suas inter-relações. (1)
Beatrice von Bismarck

 

O gesto curatorial, enquanto constelação, potencia a expansão, a dilatação de um campo de ação em constante transformação e atualização, conectável, invertível, aberto, permeável, ilimitado, com entradas e saídas múltiplas, sendo o agente ativo de uma permanente desterritoralização e consequente reterritoralização. É nesta multiplicidade e abertura que a constelação se manifesta, definindo-se sobretudo na mobilidade da rede que estabelece permanente e provisoriamente com outras constelações. A constelação desterritorializa os gestos para os reterritorializar de outro modo. Entender a prática curatorial enquanto constelação é potenciar o movimento, é admitir o fluxo intermitente entre todos os elementos envolvidos, do texto à forma, do objeto ao(s) corpo(s), e assumir que cada um destes elementos opera simultaneamente na sua singularidade e nas relações que estabelece no conjunto. E nessa relação, nesse encontro, dá-se a potência da constelação. A etimologia da palavra «constelação» — «con» (com, junto a) e «stella» (estrela) — remete para a reunião, neste caso de corpos celestes; e esta perceção, avistada da terra, é sempre realizada sob a égide do movimento.


Nessas marcas luminosas aparecidas no céu, o espírito do homem encontrou índices misteriosos acerca do universo, da vida e da humanidade. Este é o território no qual a constelação surge primeiramente, entre as estrelas fixas com o dom da imortalidade e uma permanente lembrança de destinos coletivos e individuais.

Walter Benjamin propôs notoriamente no prólogo epistemológico-crítico de Origem do Drama Trágico Alemão (1928) que as ideias estão para os objetos como as constelações estão para as estrelas. Ou seja, as ideias não se encontram realmente presentes no mundo mais do que as constelações realmente existem nos céus. De alguma forma, a obra de arte é uma poderosa metáfora da constelação.
O objetivo deste projeto é trabalhar a Coleção Berardo como um território horizontal para a curadoria investigativa. Nesta investigação, surgem «cortes» verticais — incisões na sua estabilização permanente — que encetam relações mais ou menos aproximadas no tempo e no espaço. Adotando uma postura anacrónica que mergulha subtilmente nos diferentes núcleos, tenta-se olhar e ativar os distintos tempos históricos através da sua influência sobre as produções artísticas contemporâneas.

A exposição desenvolve-se segundo um fluxo de intervenções que perpassa pelos vários núcleos da Coleção Berardo, numa linha narrativa desprendida (e conceptual) em torno do conceito filosófico de constelação. O espaço do Museu torna-se um espaço de experimentação, resultado de uma «coreografia» de processos de pensamento. O intuito é fornecer uma representação conceptual de um modelo de investigação para a coleção que se encontre em constante evolução e que se abra a um horizonte especulativo e poético.
 

(1) Beatrice von Bismarck, in The Curatorial in Parallax (What Museums Do 1), ed. Kim Seong Eun (Seul: National Museum of Modern and Contemporary Art, 2018), 132.

 

Artistas:
Autores desconhecidos, Francisco Tropa, Emilio Pettoruti, Claire de Santa Coloma, Hans Richter, Ella Bergmann-Michel, Marcel Breuer, Mário Cesariny, Tony Oursler, Max Ernst, Luís Noronha da Costa, José Barrias, João Penalva, Arpad Szenes, Nadir Afonso, Dziga Vertov, Ângela Ferreira, Marcel Duchamp, Fernand Léger, Kurt Schwitters, Batia Suter, László Moholy-Nagy, Oskar Schlemmer, João Ferro Martins, Man Ray, Raúl Perez, Mário Botas, Louise Bourgeois, Cabrita, Luís Paulo Costa, Pierre Coulibeuf, Klaus Mosettig, João Louro, Rita Gaspar Vieira, Yves Klein, Helena Almeida, José Maçãs de Carvalho, Douglas Gordon, Louise Lawler, Ann Veronica Janssens

 


Visita Segura

O Museu Coleção Berardo está certificado com o selo «Clean & Safe» do Turismo de Portugal e com o selo «Safe Travels» do World Travel & Tourism Council, cujos requisitos garantem ao visitante uma experiência em total segurança. Saiba mais aqui ou clicando nos selos.