Inauguração da exposição A Conversa Inacabada: Codificação/Descodificação

Inauguração da exposição A Conversa Inacabada: Codificação/Descodificação
21/09/2016
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No dia 21 de setembro, às 19h00, o Museu Coleção Berardo inaugura a exposição A Conversa Inacabada: Codificação/Descodificação, com curadoria de Gaëtane Verna (diretora, The Power Plant) e Mark Sealy (diretor, Autograph ABP).


A premissa por detrás da curadoria desta exposição está enraizada no trabalho de Stuart Hall (1932-2014), investigador em Estudos Culturais, que dedicou a sua vida ao estudo dos entretecedores fios da cultura, poder, política e história.

Tomando o ensaio de Stuart Hall, Encoding and Decoding in the Television Discourse [codificação e descodificação no discurso televisivo], como ponto de partida, os visitantes são convidados a refletir sobre a construção do sentido, sobre a sua sistemática distorção pela audiência que o recebe e como aquele pode ser separado e esvaziado do seu intuito original para produzir narrativas particulares ou oblíquas. Ao apresentar obras de artistas que trabalham com o tempo, a memória e os arquivos, de modo a construir novas leituras do passado, a exposição enfatiza a ideia de que o «visual» é um processo de assimilação em permanente trabalho na construção de identidades culturais, politicas, pessoais e nacionais.

A exposição A Conversa Inacabada: Codificação/Descodificação examina as manifestações físicas e as lógicas mentais das dinâmicas visuais específicas do período após a Segunda Guerra Mundial, e debruça-se sobre as maneiras como a imagem e o arquivo, seja este pessoal ou nacional, influenciaram a maneira como os subalternos se veem socialmente e historicamente. A intenção dos curadores foi a de construir um múltiplo arquivo, de imagens fixas e em movimento, e áudio, um «mapa de imagem», um veículo visual que navega a audiência pelas turbulentas águas da memória, das imagens e das políticas, até um destino não determinável, obscuro e não cartografável, onde as pessoas frequentemente se encontram com um fim fatal. A exposição ambiciona levar os visitantes a viajar no tempo, a encontrarem imagens, que atuam quer como objetos artísticos quer como ideias em fluxo, circulando dentro e fora do arquivo, através dos corredores da reconstrução cultural. Este mapa de imagem é desenhado pelos trabalhos de Terry Adkins, John Akomfrah, Sven Augustijnen, Steve McQueen, Shelagh Keeley e Zineb Sedira, seis artistas cuja prática é dedicada primeiramente ao comentário sobre recentes acontecimentos sociopolíticos, relacionando-os com um passado não tão distante, de forma a ajudar-nos a perceber melhor o mundo em que vivemos.

Ao estimular a nossa memória pessoal e coletiva, estes trabalhos mostram-nos como a história agita e causa ansiedade, nas nossas vidas pessoais e na arena política, pois revelam que a identidade nacional não é nem uma essência nem uma condição física, mas um «devir», um processo em que são formadas subjetividades nos interstícios de oposições binárias, tais como nós/ eles, preto/ branco, ou nativo/ estrangeiro. Constatando que é nesses espaços intermédios que as pessoas marginalizadas são os agentes e os sujeitos de muitos futuros possíveis, imaginados ou reais.

O fio que liga todas estas obras de arte é o envolvimento dos artistas com os significativos problemas sociais com que a humanidade se confronta nos dias de hoje e o seu profundo desejo em mover as fronteiras formais de forma a questionar esses problemas. 

Merchandising:
Portugal Museum Store /
Museu Berardo