Programa de conferências "Desdobramentos do readymade" | Susana Lourenço Marques, “Pictures como readymade”

Programa de conferências "Desdobramentos do readymade" | Susana Lourenço Marques, “Pictures como readymade”

30/12/22
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“Pictures como readymade”, por Susana Lourenço Marques

Conferência apresentada em 24-05-2018, integrada no Programa de conferências “Desdobramentos do readymade”, realizado no Museu Coleção Berardo.

Imagens autênticas e falsas, originais e cópias, matrizes e réplicas, simulação e simulacros feitas por autores, simuladores, copistas ou apropriacionistas inspeccionados por peritos, detectives e juízes. Será que é tudo a mesma coisa? Como é que se pode ser, oficialmente, um apropriacionista?
Os apropriacionistas, assimilando a intrusão da técnica na arte e a herança de Marcel Duchamp e Andy Warhol, assumem uma releitura das teses de Walter Benjamin para a construção de um pensamento sobre a cópia e a reprodução. É na possibilidade de superação desta condição que a própria reprodução se torna em si obra de arte, que os apropriacionistas deliberam como premissa do seu trabalho a reutilização de objetos artísticos pré-existentes e reconhecidos no seio do movimento moderno, alterando a condição da sua autoria e reapresentando-os no espaço do Museu, como objecto já reproduzido.

Biografia
Susana Lourenço Marques (1975), designer (FBA.UP, 1999). É Professora Auxiliar na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto onde lecciona Fotografia e História da Fotografia. Mestre em Ciências da Comunicação “Cópia e Apropriação da obra de arte após 1839” (2007), na FCSH.UNL. É doutorada em Comunicação e Arte na mesma Faculdade, com a tese “Fotografia-História, o pensamento em imagens. Contributos para a leitura de História da Imagem Fotográfica em Portugal, 1839-1997 como um hiperdocumento” (2016). Realizou o programa Recherches Doctorales Libres (2010/2011) na École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris). É autora dos livros “Lições de Hospitalidade” (2006) e editora do livro “Ag, reflexões periódicas sobre fotografia” (2009). Investigadora integrada no IHA (Instituto de História da Arte, Faculdade Ciências Sociais e Humanas. Universidade Nova de Lisboa), tem realizado
conferências e publicado artigos em revistas da especialidade, sobre Exposições e Livros de Fotografia e História da Fotografia em Portugal. Fundou em 2014 a editora Pierrot le Fou (www.pierrotlefou.pt).

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Programa de conferências “Desdobramentos do readymade” que aconteceu no dia 24-05-2018, no Museu Coleção Berardo.

Este programa de conferências procura perspetivar as ruturas artísticas introduzidas pelo readymade duchampiano e as múltiplas “ressonâncias” deste nos desenvolvimentos da arte contemporânea produzida entre 1960 e a atualidade.
Mas estas “ressonâncias”, como lhes chamou Thierry de Duve, valem sobretudo como desdobramentos. Se a pop reconsiderou a questão do objeto à luz de um novo quadro cultural de produção industrializada, e se algum conceptualismo reincidiu sobre a instância institucional da arte, auscultando as suas estruturas de poder; os apropriacionistas, por sua vez, retomaram os problemas do valor de cópia da obra de arte e da autoria através da interrogação dos mecanismos ideológicos envolvidos, quer na circulação e no consumo massificados da imagem, quer na construção do olhar ou da ideia de género.

No momento atual, a estratégia do readymade está integralmente assimilada pelas práticas artísticas e pelos discursos da história e crítica da arte. Contudo, não deixamos de reconhecer que ela participa também da apropriação da matéria digital junto de alguns artistas mais recentes, interessados nas condições de acaso e indeterminação do algoritmo, a par da flutuação global da imagem numérica ou dos processos de vigilância do digital e de recodificação dos comportamentos e subjetividades.

Nestas cinco conferências, propomos refletir sobre as relações, continuidades e deslocações que o readymade mantém com estes momentos particulares da arte contemporânea — sem esquecer de olhar para o ano de 1914, em que um secador de garrafas, apresentado como objeto artístico, mudaria o curso da história da arte, assim como a própria ideia de arte.

Programa
09h45. Acreditação
10h15. Abertura
10h30. Antinomias do readymade
             Pedro Lapa (FLUL)
11h30-11h45. Pausa
11h45. Objetualismo, iconografia e sociedade de consumo: uma prática apropriacionista na afirmação da Pop Art
              David Santos (DGPC)
12h45-14h15. Almoço
14h30. Duchamp disse: “isto é uma obra de arte”; Broodthaers disse: “isto não é uma obra de arte”
              Sofia Nunes (FCSH)
15h30. Pictures como readymade
              Susana Lourenço Marques (FBAUP)
16h30-17h00. Pausa
17h00. Os filhos ideias de Duchamp
              Luísa Ribas (FBAUL)

Organizado pela Revista Contemporânea em parceria com o Museu Coleção Berardo, com curadoria de Sofia Nunes. Entrada gratuita, sujeita ao número de lugares disponíveis.

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